Confira texto de professora e bibliotecária londrinense, Sueli Bortolin, em homenagem ao centenário do filósofo, patrono da educação brasileira
Por Sueli Bortolin*
Pretensão pura, pensar na possibilidade de produzir uma página de palavração para Paulo.
Paulo participa da polis planetária, portanto é perene, é pensador permeado de palavras, é processo de persuasão pincelada por perfeitos pontos de paciência e piedade.
No pretérito, Paulo, pirralho em piso pernambucano, pegava pequenos pedaços de pau para proferir palavras na poeira da praça.
Perscrutava pedras, plantas, pomares.
Planejava e previa processos para permitir posses para pobres com pouca provisão, população de palafitas que pedia partilha de pão e de paz.
Portadora de privados poderes e com potência passageira, pouco pegava do que produzia!
Mas a práxis pedagógica de Paulo polemiza, potencializa e protagoniza pressupostos para promover o processo político e pedagógico na participação de pessoas.
Persistentemente Paulo percorria planícies e planaltos, problematizando o poder popular e prognosticando a possibilidade do pensar-certo, de “paradigmar” a pesquisa, num pejar permanente.
Paulo preso: pensa… pensa… pensa… pensa… parteja pensamentos, procria pautas, providencia propostas, mas os pusilânimes que portam porretes prescrevem:
– “Pra fora”.
Por quê?
Porque Paulo perturba o progresso.
Pobre pátria perde Paulo.
Paulo parte pra pátria do Pablo e perambula por países.
Palavreia, palestreia é premiado!
Produz pérolas-livros. O pódio é sua posição.
Peço perdão para Paulo.
Peço perdão pelas pessoas possuídas de um pérfido pavor de povo.
Párias perversas, perdidas em parcos pensamentos, que persistem em putrefar a pessoa Paulo.
No presente, Paulo no parnaso pede piedade e paz.
Sua pátria posterga providências progressistas e o passado provou que as palavras de poderosos não propiciam progresso.
Por fim, passo a palavra para o poeta paraibano:
“E a cigana analfabeta Lendo a mão de Paulo Freire”
(Chico César)
Parabéns, Paulo, parabéns poeta!
Londrina (PR), 13 de maio de 2021.
(nada pra comemorar)
*Sueli Bortolin Bibliotecária de formação, mestra e doutora pela Unesp/Marília (SP), docente aposentada do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Colaboradora da Rede Mediar. Texto originalmente publicado no ebook Carta a Paulo Freire – Escritas por quem ousa esperançar, editado pela editora União – Universidade Estadual da Paraíba.
Foto: Agência Senado
