Em entrevista à Rede Lume, Danyela Barros explica a relevância do trabalho sobre os periódicos Chana com Chana e Nzinga

Paloma Ferraz, especial para a Rede Lume

Foto em destaque: A pesquisadora Danyela Barros/Paloma Ferraz

Acontece na próxima terça-feira, 19 de agosto, o lançamento do livro “Feminismos subalternizados e imprensa alternativa: encontros e disrupturas hegemônicas”, elaborado e escrito pela pesquisadora Danyela Barros. O evento terá início às 19:30, na sala 683 do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA), na UEL.

O livro é uma adaptação da dissertação de Danyela, que foi apresentada ao fim de sua Pós-Graduação em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). A dissertação, orientada pelo professor  Reginaldo Moreira, foi premiada com o terceiro lugar na categoria Mestrado Acadêmico do Prêmio Intercom de Comunicação de 2024 e também no Congresso Internacional de Gênero, em 2023, que alavancou a publicação do material.

Em entrevista à Rede Lume, Danyela comentou que não fazia ideia da proporção que sua dissertação tomaria. “Ele era tão diferente do projeto inicial e por isso a importância de ter pessoas de confiança e pessoas afetivas, como eu tive, porque é um mergulho. E você precisa de alguém para dizer que chega. Eu não tinha a mínima ideia de que ia virar o que virou”.

O professor Reginaldo Moreira, orientador do trabalho, com Danyela/Arquivo pessoal

Visibilidade

Em seu trabalho Danyela estudou os jornais  Chana com Chana e Nzinga, periódicos que marcaram presença e resistência durante e após a  Ditadura Militar. O primeiro dava visibilidade à pauta das mulheres lésbicas; o segundo, para o movimento negro.

Questionada sobre o motivo da escolha do tema, a pesquisadora comentou: “Eram jornais pouquíssimos estudados, esses grupos minoritários e subalternizados eram tão a escória — abre aspas — que nem a academia se interessava”.  Por isso, Danyela afirmou que poderia ser uma colaboração importante para o movimento.

Sem o auxílio da banca, a pesquisadora sabe que as coisas seriam mais difíceis. “Souberam acolher, souberam o momento de aproximar e de afastar. Esse cuidado de ler tudo o que está sendo produzido e de acompanhar de fato a jornada. Como em um mergulho, eles foram a rede de suporte”, afirma.

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O trabalho passou por uma pequena alteração na palavra feminismo para feminismos. Sobre a alteração ela comenta: “A ideia dos feminismos, no plural, é porque de qual feminismo estamos falando? Nessa época, tínhamos um feminismo hegemônico, branco e burguês. Mas existem outras mulheres que não se encaixam nesse padrão.” E vai além: “Não tinha espaço”, referindo-se a mulheres lésbicas e negras, por exemplo.

Sobre a relação de grupos vulnerabilizados com a imprensa alternativa a pesquisadora correlaciona o momento histórico de sua pesquisa com o atual. “Nesse momento em que nossa democracia está fragilizada, é importante retomar locais como o jornalismo. O que estamos perpetuando?”. Danyela continuou: “As pessoas estão esquecendo que a resistência vem de um coletivo, por isso é importante retomar.”

A pesquisadora explica  que trazer uma linguagem mais acessível e menos acadêmica foi uma escolha, para que o livro alcance ainda mais leitores. “As pessoas precisam ter acesso.”

Serviço:

Lançamento do livro “Feminismos subalternizados e imprensa alternativa: encontros e disrupturas hegemônicas”

Data: terça-feira, 19 de agosto

Horário:19h30

Local: Sala 683 do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Endereço: Rodovia Celso Garcia Cid, PR-445, Km 380 – Londrina (PR)

Entrada gratuita