Queda nas mortes decorrentes de intervenção policial em Londrina e Curitiba foi mais expressiva: 42%
Nelson Bortolin
A Polícia Militar e as guardas municipais do Paraná mataram 348 pessoas no ano passado, o que representa uma queda de 28,7% na comparação com o ano anterior. A PM foi responsável por quase todos os óbitos de 2023 (343 casos). Os números foram divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.
Curitiba e Londrina tiveram quedas mais expressivas que a média estadual. A capital registrou 70 casos contra 121 no ano anterior. E Londrina 50 contra 29. Proporcionalmente, a redução é de 42% nos dois municípios.
Cambé, que em 2022 teve 15 mortes decorrentes de intervenção policial, passou a 6 casos no ano passado. E Ibiporã não registrou óbitos, o que não ocorria pelo menos desde 2017.

Em entrevista coletiva, o coordenador do Gaeco, procurador Leonir Batisti, atribuiu a queda na letalidade a dois fatores: uma suposta mudança de postura da PM e a atuação do próprio órgão.
“Em primeiro lugar, a redução está relacionada com a própria polícia. Se ela é orientada a ser uma polícia cidadã e agir em obediência estrita às regras, as mortes tendem a diminuir. De outro ângulo, tivemos dois anos em que o Gaeco avançou em responsabilizar policiais que não agiram de acordo com os protocolos da instituição.”
Veja depois dessa reportagem os links de notícias de algumas operações do órgão para investigar e denunciar policias do Paraná.
O procurador admite que a polícia brasileira tem “participação em mortes bastante mais significativa que a de outros países”, mas ressalva que a violência no Brasil é diferente de outros lugares. Ele citou o Japão, que tem um índice baixíssimo de morte pelas forças de segurança.
Justiça por Almas
Hayda Melo, coordenadora do Movimento Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta, que representa familiares de pessoas mortas pela Polícia, acredita que a redução dos óbitos está relacionada ao fim do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Acredito que a diminuição ocorreu pela mudança do presidente e o atual não aprovar essas mortes, como o anterior, que deixava muito claro: Bandido bom é bandido morto”, declara.
Outro fator que, na visão de Hayda Melo pode ter influenciado a queda das mortes, pelo menos em Londrina, foi a troca do comando do 5º Batalhão de Polícia Militar, ocorrida em julho do ano passado.
Veja os números de mortes decorrentes de intervenção policial nas principais cidades e o total do estado, desde 2017:

Controle externo
Segundo nota divulgada pelo Ministério Público, o controle estatístico “das mortes em confrontos policiais pelo Gaeco faz parte de estratégia institucional de atuação” da instituição com o objetivo “de contribuir para a diminuição da violência das abordagens conduzidas pela polícia”.
O MP do Paraná, a exemplo dos demais MPs do Brasil, aderiu ao programa nacional “O MP no enfrentamento à morte decorrente de intervenção policial”, instituído pelo Conselho Nacional do Ministério Público, por meio da Comissão do Sistema Prisional, Controle Externo da Atividade Policial e Segurança.
A iniciativa do CNMP, segundo a nota, busca assegurar a correta apuração das mortes de civis em “confrontos” com policiais e guardas municipais, garantindo que toda ação do Estado que resulte em morte seja investigada.
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