Unidade sai do piso principal do Centro Cultural e terá metade da área atual
Nelson Bortolin
Foto em destaque: Divulgação
A Prefeitura de Cambé decidiu mudar a Biblioteca Pública Municipal da cidade. Hoje, ela ocupa o piso principal do Centro Cultural. E será transferida em janeiro para o andar inferior, numa área que representa metade da atual.
A decisão faz parte de uma restruturação administrativa da Prefeitura, que unifica as secretarias de Educação e Cultura e cria as de Segurança Pública e Trânsito e de Fiscalização Urbana.
No local onde hoje é a biblioteca serão instalados departamentos administrativos da pasta da Educação, que atualmente funcionam no prédio do antigo IBC.
Para o vereador Igor Mateus (PL), ao tomar a decisão, a Prefeitura desvaloriza a cultura. Ele ressalta que os próprios vereadores criticam a “falta de efetividade” da pasta. “Com a junção, vai ficar pior”, critica.
Somente Mateus e um outro colega votaram contra a mudança.
A secretária Estela Camata, que já acumula as duas pastas, nega que haja desvalorização da biblioteca. “Vamos redimensionar o espaço. Não quer dizer que terá menos valor.”
Ela afirma que a procura pela biblioteca é “muito pequena”. “O público que temos hoje pode tranquilamente ser atendido no novo espaço”, declara.
Camata conta que local será readequado antes da mudança. A reforma inclui a construção de uma entrada exclusiva, banheiros e recepção. A transferência só será feita, de acordo com ela, quando as obras terminarem. “Não ficaremos nenhum dia fechados”, garante.
Nenhum dos departamentos das duas secretarias, de acordo com ele, será fechado. “Sou professora. Sei do valor da biblioteca. Jamais a desvalorizaria”, declara.
Biblioteca: Sistema Nacional passa por desmonte
Segundo o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), de 2015 a 2020, foram fechadas 800 bibliotecas públicas no Brasil.
A bibliotecária e diretora do Sistema de Bibliotecas Públicas de Londrina, Leda Maria Araújo, afirma que os profissionais da área precisam resistir ao desmonte do setor.
“Nos últimos anos, vivemos retrocesso em toda a cultura. Nem ministério tivemos. Museus pegaram fogo por falta de manutenção. Não é hora de reduzir o espaço das bibliotecas, mas de ampliá-los”, defende.
A diretora ressalta que, apesar da desvalorização, as bibliotecas vêm ampliando seu papel na sociedade, que vai muito além do empréstimo de livros.
“Nosso papel é fomentar a leitura, a cultura, gerar conhecimento, promover cidadania em vários aspectos, transformar a sociedade, por meio da informação, promover reflexão”, enumera.
Em vez de se acomodarem quando percebem a diminuição do público, as bibliotecas precisam realizar novos projetos e trazer a comunidade para dentro de seus espaços.
“Nós fazemos contação de histórias, oficinas de artesanato, de criação literária”, cita.
A biblioteca central de Londrina, segundo ela, criou um projeto de discussão de obras literárias para atrair o público jovem que presta vestibular.
“Já aconteceu de termos 100 jovens numa noite de segunda-feira com chuva. Nós oferecemos serviços e o público se apropria deles”, conta.
É dever das bibliotecas, conforme destaca a diretora, promover a democratização do acesso à informação seja por meios físicos ou digitais.
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