Evento acontece no dia 5 de novembro no Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa, o ‘Buracão’
Cecília França
Foto em destaque: Edição da Parada LGBTQIA+ em 2022/Lua Gomes
Neste domingo, 5 de novembro, acontece a 6ª edição da Parada Cultural LGBTQIA+ de Londrina, com o tema “Porque todes merecem viver sua verdade sem medo. Priorize e celebre a saúde mental LGBTI+”. Para o Coletivo Movimento Construção, organizador do evento, priorizar a saúde mental é, também, um ato de autenticidade e resistência, “é cultivar o amor próprio em sua essência”.
Poliana Santos, integrante do coletivo, destaca que a festa de domingo é o ápice da Parada, a grande festa. Mas o evento promove, ao longo do ano, espaços de reflexão, debate e conscientização sobre as diversas demandas do público LGBTQIA+. Entre maio e agosto deste ano, por exemplo, ocorreu o Encontro Diálogos sobre Políticas e Cultura LGBTI+, como parte do calendário da Parada.
A escolha do tema deste ano, segundo Poliana, nasceu do entendimento dos números, dos estudos e divulgações científicas e estatísticas sobre como é violento o processo discriminatório de preconceito vivido por essa população e o quanto isso é adoecedor.

“Também chega a nos matar, não só psicologicamente, mas também fisicamente. Haja visto o grande número de suicídios na nossa população e problemas de psicosociabilidade, e assim por diante, fazendo com que a gente, durante nossa vida toda, tenhamos que conviver com essa espécie de violência. Então, trazer isso para parada é uma maneira também de dar uma alerta, tanto ao poder público, à sociedade em geral, como para nós mesmos, a importância de cuidar da mente para além dos outros cuidados”, destaca.
A pandemia da covid-19, período em que o coletivo chegou a realizar uma edição virtual da Parada, agravou o quadro de saúde mental de toda a sociedade. O processo vivido naquele momento impactou também na escolha do tema desse ano, explica Poliana.
“Essa questão de não ter sentido esse grande momento de confraternização, esse grande momento de alegria, de toque, de troca de sentimentos físicos e presenciais, faz a gente refletir também na escolha do tema desse ano, sobre a importância da saúde mental. A importância da gente entender que vem de um processo de uma pandemia, que querendo ou não, afetou todas as pessoas. De maneira diferente, mas de alguma maneira sofreu com as consequências dela”, ressalta.



Parada LGBTQIA+ é para toda a sociedade
Poliana diz que na primeira edição da Parada, em 2017, o coletivo pensava em ocupar as ruas da cidade. Imaginava que teria apelo do público LGBTQIA+, mas não que o evento iniciaria já grandioso.
“Hoje nós estamos indo para o segundo ano num espaço aberto maior, que é o Centro Social Urbano da Vila Portuguesa, mais conhecido como Buracão, a gente tem a dimensão do tamanho do evento que a gente promove na cidade, não somente para a população LGBTQIA+, mas para a população londrinense”, explica.
“É um momento de alegria, diversão, de cultura, no qual a classificação é livre. Inclusive, na parada do ano passado, a gente teve locação de brinquedos para os pais e para as mães que levaram as suas crianças. Esse ano a gente não vai ter, mas a gente sabe que os pais levam os seus filhos e filhas e também temos a participação de pessoas mais idosas e a própria vizinhança ali da região do ‘Buracão’, que acaba procurando a gente, perguntando o que é, falando que vai participar também”, revela.
A ativista finaliza dizendo que a festa é o ápice de toda a programação da Parada, que busca trazer espaços formativos, de reflexão, sobre quanto a sociedade ainda é preconceituosa, violenta e discriminatória com a população LGBTQIA+, e que isso causa consequências muito duras.
“Passamos por violências muito pontuais nas nossas vidas, que podem vir a deixar sequelas. Então, o nosso momento aqui em Londrina com a Parada é levar para a cidade o potencial que a gente tem, o potencial da população LGBTQIA+, e também o quão importante é lutarmos por uma sociedade igualitária e de equidade”.
Saúde mental e qualidade de vida
DJ há mais de 10 anos na cena LGBTQIA+, Jô Moreno será um dos apresentadores da Parada este ano e classifica o convite como uma honra.
“Eu sinto que é a oportunidade de mostrar, de falar com toda a cidade sobre respeito, sobre empatia, sobre acolhimento. O tema da parada é saúde mental, então é muito importante a gente poder trazer essa mensagem de construirmos espaços de afeto, de construirmos relações de afeto, de construirmos acolhimento entre os nossos para nos fortalecermos”, afirma.
Para Moreno, um evento que fala sobre diversidade é uma oportunidade de falar de pessoas que, muitas vezes, estão invisibilizadas. E ressalta que preservar a saúde mental está diretamente associado a viver plenamente a cidadania e o acesso a direitos.
“A saúde mental deles é comida no prato, é sensação de pertencimento na sua comunidade ou seu bairro, à sua cidade. Então é uma hora e um compromisso muito sério falar disso”, finaliza.
Confira programação da Parada LGBTQIA+
As atrações desta edição foram divididas em 4 categorias. A primeira é Cantorxs e Grupos que conta com a Banda Maracajá, a multiartista Carolinaa Sanches, o grupo Malemolência, a cantora e DJ Ariel Trippy e a rapper Cleópatra. A segunda categoria é Djs com os melhores e mais diversificados setlist da cidade representades por Kachorrona, Amber Woss, Gui Popolin e Gabi Kurita.
A terceira categoria é a arte Drag Queen que contará com as Queens Kyara D’Lis, Bianca Alonso, Larissa Point e Priscila Chandon. E por fim a categoria Dançarines e Grupos com a participação dos grupos House of Aurora, House of Ocean, Arte Sem Censura e a dançarina Fernanda Fugi.
A Parada Cultural LGBTQIA+ de Londrina tem patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
