Por Vinícius Fonseca*
Recentemente tive a oportunidade de trabalhar junto à Rede Lume na produção de um texto sobre a acessibilidade a prédios de uso coletivo ou com um grande fluxo de pessoas e os desafios que essas edificações impõe às Pessoas com Deficiência (PCD).
O material surgiu depois que Zezinho Fisioterapeuta, ativista da causa PcD e, sobretudo, da pessoa cega, me passou a informação de que havia solicitado ao Ministério Público que fossem feitos ajustes de acesso nas dependências da Associação dos Funcionários Municipais de Londrina (AFML).
O conteúdo pode ser acessado neste site e garanto, ficou muito legal. Cumprimos todos os ritos jornalísticos. Buscamos ouvir os dois lados da história e o Ministério Público (MP), o que conferiu ao texto não só informação e uma visão sobre o caso em específico, mas também oferece ao seu leitor a possibilidade de pensar sobre a acessibilidade em nossos tempos.
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Eu confesso que desde sua publicação fiquei pensando em, pelo menos, uma coisa: como precisamos melhorar o nosso senso de coletividade. O nosso entender e enxergar a vida com mais humanidade.
Em um determinado trecho da matéria, o MP informa que toda vez que uma instituição ou empresa é notificada há por parte de seus representantes um esforço em se adequar às normas estabelecidas. Essa atitude é positiva, não desconsidero isso, mas se pensarmos com mais criticidade; o Estatuto da Pessoa com deficiência vai completar 10 anos em 2025. Não seria esse um tempo suficiente para que já tivéssemos nos adequado sem precisar do instrumento da lei?
Penso que se tivéssemos um senso maior de coletividade e entendêssemos que as pessoas com deficiência também querem participar da vida em sociedade da maneira mais autônoma possível, a resposta seria sim, dez anos é tempo mais de suficiente. Assim teríamos muito mais edificações atendendo normas de acessibilidade.
Em resumo, acessibilidade nem seria uma questão se o nosso senso de coletividade fosse uma marca da nossa sociedade. Mas… não é o que acontece na prática. Por sorte somos todos humanos e estamos aqui para aprendermos juntos.
Há tempo para melhorarmos, há tempo para mudarmos de opinião e há tempo para nos unirmos em prol da promoção de um mundo mais acessível.
*Vinícius Fonseca é pessoa com deficiência, jornalista, tecnólogo em gestão de Recursos Humanos com especialização em assessoria em Comunicação e M.B.A. em Gestão de pessoas. Também é escritor de poesias e contos, além de um eterno curioso.
