Família de William Jones Faramilio da Silva Júnior faz protesto para marcar um ano da morte do jovem

Nelson Bortolin

“A gente luta para se sentir melhor. Eu busco 24 horas por dia resolver a situação porque eu pretendo levar os policiais a júri. Então isso me dá uma sobrevida.” A declaração é de Maria Lopes, avó materna de William Jones Faramilio da Silva Junior, jovem morto pela polícia dia 6 de maio de 2022 junto com o amigo Anderbal Campos Bernardo Junior.

No protesto do último dia 7, ela conversou com a Rede Lume. “A gente chora muito. A dor está maior agora. Na véspera de ele morrer, o Juninho me pediu uma pizza doce. Eu comprei, eu sempre comprava. Isso foi na madrugada do dia 5. No dia 6 aconteceu aquilo”, recordou.

A avó não acredita no trabalho investigativo da Polícia Civil, mas acha que o Ministério Público e a Justiça não irão decepcioná-la.

Morizon Ferreira, avô paterno de William, também esteve na manifestação. E disse que a memória do neto “nunca será apagada”. “A gente tem sempre esperança.”

Ele se revolta pela polícia dizer que o neto estava armado. “É mentira. Infelizmente, eles pagaram com a vida. Mas a mentira não pode vencer.”

A morte do único neto foi um golpe duro para o avô. “Minha vida e da minha esposa mudou completamente. A gente está vivendo assim, parece que os últimos dias.”

Ferreira espera que, antes de morrer, possa ver a Justiça sendo feita. “O William Júnior não é marginal. Morreu, não vai voltar, mas não pode ficar morto como um marginal. Isso não dá para aceitar.”

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