Por Vinícius Fonseca*
O assunto que trago hoje já ocupou essa coluna em outras oportunidades, mas é uma provocação necessária, ainda mais por estarmos no mês de setembro. O famoso mês das ações voltadas à diversidade e inclusão das Pessoas com Deficiência (PcDs).
Secretarias de assistência social, secretarias de atendimento de pessoas com deficiência e outras diversas entidades se junta a empresas e promovem feirões de emprego, fazem campanhas para mostrar como são inclusivas. Vendem um mundo dos sonhos aos PcDs, afinal, quem é que não gostaria de se sentir incluído? Ainda mais em um mundo que costumeiramente lhe é hostil…
A provocação que faço é: essas empresas que participam desses feirões estão mesmo promovendo a inclusão? Ou será que elas apenas “arrastam” os profissionais com deficiência para postos de trabalho com o intuito de cumprir as cotas?
Como eu disse, o assunto não é novo aqui, mas essa reflexão é necessária e deve ser constante. As instituições promotoras dessas ações, bem como o Ministério do Trabalho, fiscalizam as empresas posteriormente para assegurar que os PcDs estão tendo oportunidades dignas de desenvolvimento?
Não estou querendo acusar ninguém sem provas, mas a julgar por experiências profissionais anteriores e de amigos com deficiência, fico propenso a supor que isso não acontece. Ao que tudo indica o monitoramento que é feito visa primordialmente assegurar e cobrar pelo cumprimento do número mínimo de pessoas com deficiência atuando na organização, sem dar muita atenção ao desenvolvimento de carreira desses profissionais.
Esse cenário precisa mudar e com urgência. Nenhum profissional se submete a jornada desgastante de emprego para ficar 3, 4 ou mais anos fazendo sempre as mesmas coisas, seguindo as mesmas rotinas e diretrizes sem a perspectiva de um crescimento em sua carreira.
Essa provocação que faço visa não só discutirmos melhorias no ambiente e no mercado de trabalho, mas também tratar uma ferida que vem aberta há tempos. Cobra-se mão de obra qualificada, mas suprimem-se todas as potencialidades dos qualificados deixando-os escondidos em setores de baixo escalão em nome do cumprimento da lei de cotas.
Dito isso, vamos ao até breve. Depois de mais de dois anos ininterruptos de textos aqui na Rede Lume. Quase sempre quinzenais e às vezes, até com menos tempo, é chegada a hora de uma pausa mais longa.
Obrigado a todos que me acompanham aqui, mas precisarei fazer uma cirurgia e por “excesso de zelo” me afastarei de atividades que me exponham ao uso da luminosidade das telas de computador e celular. A pausa não será longa, no entanto, suficiente para que os textos fiquem parados por mais de uma quinzena.
Sei que temos leitores fiéis e por isso achei de bom tom avisá-los de minha ausência no próximo mês. Fato é que deixei um texto de “gaveta” e mais cedo ou mais tarde estarei de volta.
Até lá, deixo aqui meu: “Até Breve”
Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente, ou quase…
