Movimento Justiça Por Almas esteve no Legislativo Municipal pedindo apoio a suas propostas

Nelson Bortolin

Depois de obter a adesão da Câmara Municipal de Cambé, o movimento Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta – composto por familiares de pessoas mortas pelas forças de segurança – foi até os vereadores de Ibiporã pedir apoio à proposta de instalação de câmeras de vídeo nos uniformes de policiais.

Ao final da sessão desta segunda-feira (23), os vereadores ouviram por 40 minutos os depoimentos de três mães de jovens mortos por PMs: Hayda Melo (mãe de Willian Jones Faramilio da Silva Junior, morto aos 18 anos em maio do ano passado, perto da UEL); Marilene Santos (mãe de Davi Gregório Ferraz dos Santos, de apenas 15 anos, morto na Avenida Duque de Caxias em Londrina em junho do ano passado); e Damaris Macedo (que perdeu o filho Maicon Macedo dos Santos, aos 25 anos, executado pela Polícia Militar em agosto de 2020, em Ibiporã).

Além de uma força-tarefa para investigar os casos, a principal reivindicação dos familiares é que os agentes de segurança sejam obrigados a usar câmeras, atribuição da Assembleia Legislativa (Alep).

Já existem projetos com essa finalidade para ser votados pelos deputados estaduais, mas, como a Casa tem maioria conservadora e bolsonarista, as propostas ficam arquivadas.

O Justiça por Almas vem recolhendo assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular com esse objetivo. Obtendo mais de 80 mil assinaturas, a proposta é obrigada a tramitar na Alep.

Pressionado por instituições como o Ministério Público, o governo do Estado finge que está interessado em estudar o assunto e abriu concorrência para locar 300 câmeras para um projeto-piloto com duração de um ano. Só para se ter uma ideia, o estado tem 399 municípios e, apenas a PM, cerca de 20 mil homens.

Assim como em Cambé, o Justiça por Almas foi bem recebido pelos vereadores de Ibiporã. Ao final da sessão, cinco dos nove vereadores da Casa afirmaram à Rede Lume que são favoráveis ao projeto.

“Sou a favor sim, com toda certeza. Essa é uma situação que vem acontecendo não só no estado de Paraná, mas também em todo o nosso País: os assassinatos por covardia de alguns militares, não são todos”, afirma o vereador Ilseu Zapelini, do partido do governador Ratinho Júnior, o PSD.

Para ele, as câmeras são importantes para defender pessoas mortas brutalmente pela polícia sem sequer ter passagem pela polícia. “Primeiro eles atiram para depois saber quem é a pessoa.”

Zapelini diz que as câmeras serão importantes para proteger inclusive os policiais.

Do mesmo partido, o PSD, o vereador Rafael Eik Ferreira ressalta a importância da tecnologia. “É segurança para a população, é segurança para o próprio policial, para o próprio agente público, que não precisa depender mais só da fé pública, mas também pode contar com essa tecnologia, que é a câmera.”

Ferreira ressalta que nos Estados onde foram implantadas (São Paulo e Santa Catarina), as câmeras diminuíram o número de homicídios cometidos pela polícia.

A presidente da Câmara, Maria Aparecida Galera (PTB), que se emocionou durante o depoimento das mães, também concorda com o uso das câmeras. “Eu acho que é uma segurança tanto para os PMs quanto para as pessoas. Eu acho que todos estarão seguros com a câmera.”

Já o vereador Victor Divino Carreri (União Brasil) lamentou não ter havido espaço para perguntas após os depoimentos das integrantes do movimento. “Eu fiquei muito emocionado, realmente, com o depoimento das mães. E eu sugiro que a gente mande para a Assembleia o posicionamento dos vereadores pedindo para que esse projeto seja agilizado, para proteger as vidas.”

Teve até integrante do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o PL, o vereador Gilson Mensato, apoiando a proposta. “Acho que isso seria uma segurança para o próprio policial, na sua defesa em caso de confronto direto. Eu apoiaria, sim. Eu não vejo problema em apoiar. Porque a gente sabe que existe realmente muita atrocidade neste meio. Existe muitos confrontos, mas existe também muita atrocidade.”

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Vereadores de Ibiporã