Por Papo Reto Londrama*

Imagem: Arte sobre a tela “Operários”, de Tarsila do Amaral

Já repararam o quanto somos reféns do trabalho? O quanto vendemos nossos melhores dias de nossas vidas, por um valor irrisório, que às vezes mal dá pra sobreviver? Ou aquela sua tia, primo, amiga ou amigo, que você não vê faz tempo e te liga: “E aí, trabalhando muito?” a pessoa nem pergunta como você está, mas preocupa-se com o fato de estar trabalhando. Isso é mais comum do que imaginamos – até inconscientemente – porque desde que nascemos, somos obrigados a encontrar meios para sobreviver.

No Brasil, existe um movimento, que está tomando força organicamente, para acabar com a famigerada escala de trabalho 6×1 (6 dias trabalhados, para 1 de folga). O VAT “Vida Além do Trabalho” é extremamente interessante, pois propõe reflexões sobre direitos que são negados à classe trabalhadora.

Podemos citar alguns como exemplos: o direito de desfrutar da vida em família e na comunidade; o direito de se divertir em atrações culturais, em esportes ou lazer; o direito do descanso, do ócio criativo; o direito de não pensar em trabalho nos seus dias de folga; o direito de não ser escravo do trabalho não poder fazer mais nada, a não ser trabalhar.

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No mundo, já existem iniciativas para redução da jornada de trabalho para 4 dias da semana. Em Portugal “a base do projeto, que já passou por fases de esclarecimento e seleção de empresas, e a colocação em prática de uma experiência de seis meses, voluntária e reversível por parte das empresas privadas. O Estado português garantiu os custos com suporte técnico e administrativo para apoio às empresas na transição, sempre seguindo a regra que ficou conhecida como “100-80-100”: os trabalhadores recebem 100% do salário e trabalham 80% do tempo, desde que consigam manter 100% da produtividade coletiva, como explica Gabriela Brasil, ativista do “4 Day Week Global” em entrevista ao Brasil de Fato.

Lembremos das palavras do ativista mexicano, Subcomandante Marcos:

“Quanto vale a vida de um homem, em quanto cada um avalia a sua própria vida, a troco de quê está disposto a mudá-la? Nós avaliamos muito alto o preço de nossas vidas. Valem um mundo melhor, nada menos. Homens e mulheres, dispostos a dar suas vidas, têm direito a pedir tanto quanto valem. Há os que avaliam suas vidas por uma quantidade de dinheiro, mas nós a avaliamos pelo mundo, esse é o custo do nosso sangue…”

Por um salário justo e digno!
Pela redução das cargas horárias excessivas! Não seriam essas, bandeiras da classe trabalhadora? Pense nisso povo das periferias do campo e da cidade!

É o Papo Reto Londrama dando a letra!!

*Texto: Alisson Poças
Arte: Manoel Barreto
Equipe Editorial Papo Reto Londrama: Valmirete Alves, Márcio Teixeira, João Paulo Poças e Carla Gimenez