Manifestação em Londrina exalta a democracia e alerta para os riscos de uma extrema direita ainda fortalecida

Cecília França

Foto em destaque: Manifestação pela democracia em Londrina/Ivo Ayres

Neste 8 de janeiro, diversas cidades do país promoveram atos em defesa da democracia. Em Londrina, a concentração de integrantes de movimentos sociais e partidos políticos aconteceu em frente ao Cine Teatro Ouro Verde, no fim da tarde. A data marca a tentativa frustrada de golpe por parte de bolsonaristas, que, descontentes com a eleição de Lula em 2022, invadiram a Praça dos Três Poderes e depredaram o Palácio do Planalto e os prédios do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

Os atos golpistas pretendiam provocar o caos para que o Exército assumisse o poder.

“Enquanto a disputa acontecia entre PT versus PSDB a conduta dos eleitores permanecia apenas no campo eleitoral. Passada a eleição tudo voltava ao normal. Com o advento da extrema direita, em 2018, tudo mudou. Bolsonaro passa a fazer o discurso que vê o adversário eleitoral como inimigo. Os eleitores mais radicais entenderam que as urnas eram suspeitas e o resultado eleitoral de 2022 deveria ser mudado. A ideia era provocar o caos em Brasília para que os militares fossem chamados a intervir para manter a lei e a ordem. Com isso o golpe aconteceria e Lula seria deposto. Alguns londrinenses acreditaram nessa tese”, explicou o cientista político Elve Cenci em entrevista à Lume.

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Apesar da vitória da democracia naquele 8 de janeiro de 2023, Lenir de Assis, única vereadora do PT em Londrina, destacou a importância de reconhecer a data como o que foi: uma tentativa de golpe contra um governo democraticamente eleito.

“Estar nas ruas hoje para fazer memória do 8 de janeiro eu penso que deva ser uma constante. Para não permitir, em hipótese alguma, que o que aconteceu, toda aquela tentativa de golpe, aquela brutalidade, os atos criminosos, se repita. Então é imprescindível que a gente consiga digerir e estudar mais tudo isso”, defende.

Segundo a vereadora, quanto mais pensamos sobre os atos, mais evidente fica “a brutalidade e o golpismo que estava ali instalado”. Por isso, estar nas ruas no 8 de janeiro é um sinal de resistência e um grito contra toda tentativa de golpe.

A vereadora Lenir de Assis durante o ato/Ivo Ayres

“Porque o que estava ali não era só um golpe contra o estado democrático de direito, era um outro modelo, anticivilizatório, em que o ódio, a raiva, a impossibilidade de absorver um resultado eleitoral – que é o processo democrático – estava presente. Outra questão é que eles estavam em muitas pessoas lá, e estão entre nós; muitos, ainda, insistindo que o que aconteceu não foi um atentado contra a democracia. Isso aumenta o risco. Por isso precisamos fortalecer cada vez mais nossos movimentos sociais, progressistas, a narrativa pela democracia, para que a gente possa, de vez, dizer um basta a qualquer tentativa de golpe”.

A vereadora destaca que a negação de momentos históricos, como o da Ditadura Militar, é algo presente em parte da sociedade, e que o mesmo tem acontecido com o 8 de janeiro. E defende a punição dos responsáveis.

“É importante dizer que aquilo não foi uma manifestação qualquer, foi uma tentativa de golpe, foram vários crimes num único momento, e é importante que os crimes sejam apurados e os responsáveis sejam punidos no rigor da lei”, declara.

A professora Ângela Silva, representante do Psol no ato, defendeu, em seu discurso, que a extrema direita segue forte e que os responsáveis pelo 8 de janeiro devem ser responsabilizados.

“Nos colocamos na luta, como sempre estivemos, até derrotar a extrema direita. E sem anistia para golpista”, enfatizou.

Eliel Joaquim dos Santos, representante do Sindprevs (Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência Social e Ação Social do Estado do Paraná), enfatizou que o ato não se tratava de uma comemoração, mas da lembrança de que incentivadores e financiadores da tentativa de golpe devem ser punidos.

“Isso não está superado. A nossa estrutura democrática venceu, mas todos nós que nos dizemos de esquerda e de centro temos que estar muito atentos para as eleições de todo o país”, declarou, referindo-se às eleições municipais de outubro.

Sandra Flor, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) defendeu que a cidade se una como no campo, em prol de uma sociedade melhor. “Nós dos movimentos sociais fazemos nossa luta diariamente. Quando todos se unem a luta fica mais leve. Que isso se multiplique. Leve esse momento para suas casas e vá multiplicando no nosso país”.

Foto: Cecília França

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