Conveniada da Prefeitura busca famílias de todos os formatos dispostas a acolher crianças e adolescentes e ampliar o serviço em Londrina

Cecília França

Foto em destaque: Luana Azevedo/Unsplash

Disposição para acolher e orientar são características essenciais para famílias interessadas em integrar o serviço de Família Acolhedora. Por meio de convênio com a Associação Ministério de Missões e Adoração (MMA), a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) criou o Seja Lar e busca ampliar as vagas ofertadas no serviço, já executado pelo município desde 2017.

O Seja Lar está preparado para receber interessados e proceder a preparação de todos os formatos de famílias. No momento, a meta é contar com 15 acolhimentos familiares para crianças e adolescentes. 

“A Família Acolhedora é tipificada dentro da política de assistência e também pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). É uma modalidade de acolhimento em que, ao invés de ficar no institucional, nas casas lares, a criança vai para uma residência de uma família que se cadastrou voluntariamente, passou pelo processo de seleção, capacitação e habilitação”, detalha a assistente social coordenadora do Seja Lar, Ana Lúcia Conde.

Ana Lúcia e Bárbara na sede do Seja Lar/Cecília França

A profissional explica que os critérios objetivos para se candidatar ao serviço são: ter mais de 21 anos, não ter intenção de adoção, ter residência de ao menos 1 ano no município, ter renda fixa, não ter antecedentes criminais nem registros de violação de direitos das crianças e adolescentes.

“Os critérios subjetivos vamos analisar junto com a equipe técnica e vai variar muito. Tem muitas questões que precisamos analisar, como o apego. Mas o principal é a disposição da família, ou do grupo familiar, em aceitar fazer esse acolhimento”, explica Ana.

“Porque a criança vem de um contexto de violência. Ela vai entrar na rotina de uma família, vai mudar essa rotina e pode ser que ela até reproduza nesse espaço questões que ela passou”, enfatiza a educadora social do Seja Lar, Bárbara Pinheiro.

De acordo com ela, o ECA prevê o acolhimento familiar para toda criança e adolescente que precisar. “Quando eles são afastados da família de origem, pela questão da medida protetiva, eles vão para o acolhimento institucional e a central de vagas determina qual criança vai para o acolhimento familiar”, explica.

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Atualmente, 100 crianças encontram-se em acolhimento institucional em Londrina; 15 em acolhimentos familiares.

“A Família Acolhedora vai acolher a criança de acordo com o seu perfil. Então a gente vai respeitar a habilidade da família, preferência em relação a idade, se menino ou menina, e vamos discutir com a central de vagas e os acolhimentos qual tem mais perfil. Porque o serviço precisa ser bom, não pode ser mais uma perda para essa criança”, enfatiza Ana.

Benefícios do Família Acolhedora

Pelo ECA, o acolhimento pelo serviço Família Acolhedora deve durar no máximo 18 meses. Ana comenta que ele acaba funcionando como uma preparação para a adoção.

“Acaba sendo uma preparação, porque muitas vezes, dentro do institucional, as crianças têm um tipo de comportamento, e acontece de irem para a adoção e elas testarem o amor, o afeto, por conta das perdas. Existem casos em que o acolhimento familiar preparou essa criança e a adaptação dela na adoção foi melhor. Então é um serviço não só de garantir o direito da criança e do adolescente, mas é revolucionário, para a sociedade em geral”, declara Ana. 

Bárbara destaca, ainda, os benefícios para o desenvolvimento da criança.

“Principalmente de 0 a 3 anos é uma fase muito importante para como vai ser o futuro da criança. Então o Família Acolhedora auxilia na autonomia da criança, no desenvolvimento dela. Porque ela aprende ali coisas que em um acolhimento institucional talvez ela não aprenderia. Coisa básica do dia a dia, por exemplo, ir ao mercado. São coisas importantes para o futuro”, destaca. 

Perfil da família acolhedora

Para Ana Conde a disposição para contribuir não somente com a criança e o adolescente, mas com a sociedade, é a principal característica de uma família que pretende se candidatar ao serviço.

“É você olhar para a cidade e pensar ‘Quero contribuir para a sociedade’. Porque, por meio dessa ação, você está cuidando de um público infanto-juvenil. Acredito que nós, enquanto sociedade, precisamos começar a plantar essa semente de como contribuir”, afirma.

“E quando a gente fala em família é todo perfil de família. Eu sou uma família, moro sozinha, mas sou uma família”, exemplifica Ana.

Quem tiver interesse em conhecer mais sobre o programa e, talvez, se candidatar, pode entrar em contato pelos telefones (43) 3322-8197 ou (43) 99102-7338. Também é possível acompanhar atualizações pelo perfil do Seja Lar no Instagram