Promovida pela Coletivo Black Divas, palestra reúne médicos e médicas para entender o impacto do racismo nos serviços de saúde
Cecília França
Foto ilustrativa: Troy Wade/Unsplash
Nesta sexta-feira, 7 de junho, o Coletivo Black Divas promove a palestra “Mulher Negra e Saúde”, a partir das 18h30, com a participação de quatro profissionais da área médica, em Londrina. Estarão presentes a residente em pediatria pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) Maria Catarina, o médico formado pela UEL Matheus Pereira, o dentista e médico também graduado pela UEL Daniel Pires e a residente em medicina de família e comunidade na Prefeitura de Londrina Gabriela Liborio.
O objetivo é debater as consequências do racismo nos serviços de saúde e o impacto para a saúde física e psicológica das mulheres negras.
“Debater a saúde da população negra é um tema fundamental. A gente precisa levar informação para elas, a fim de evitar algum tipo de desassistência. E também trazer um tópico importante: é fundamental a gente não procurar o médico só quando está doente, tem que ir quando está bem para fazer os devidos acompanhamentos”, alerta o médico Matheus Pereira, antecipando algumas temáticas da palestra desta sexta.
Em outubro de 2023, durante o seminário “Inovação, educação e cuidado com as mulheres no Outubro Rosa”, realizado pela Secretaria da Mulher e pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, foi divulgado um dado estarrecedor que mostra a dificuldade de acesso das mulheres negras a serviços preventivos: dentre as mulheres brasileiras que realizam mamografia, apenas 24% são negras, porém 47% das pacientes que recebem o diagnóstico de câncer em estágio avançado são elas.
“As mulheres negras têm menos acesso aos exames de rastreamento que permitiriam um diagnóstico precoce, e portanto têm um estágio mais avançado no diagnóstico. Isso acaba se traduzindo, infelizmente, em uma letalidade maior”, alertou, na ocasião, a diretora do Instituto Avon, responsável pela pesquisa, Daniela Grelin, em entrevista ao Portal Câmara.
Este é apenas um ponto de alerta. Outros levantamentos mostram, ainda, que as mulheres negras são as principais vítimas de violência obstétrica e de mortalidade materna no país.
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O estudo intitulado “A cor da dor“, divulgado pela Fiocruz em 2017, mostrou que a administração de anestésicos durante o parte é menor para mulheres negras que para mulheres brancas. O estudo analisou entrevistas e avaliação de prontuários de 23.894 mulheres brasileiras.
Em casos em que foi realizada a episiotomia, corte abaixo da vagina para facilitar o nascimento do bebê em partos normais, as mulheres negras receberam menos anestesia local quando comparadas às brancas.
Dados do Ministério da Saúde também mostram que mulheres negras têm duas vezes mais riscos de morrer durante o parto. Em 2020, 65,4% das mortes maternas registradas no país foram de mulheres negras (pretas e pardas) e 30% de mulheres brancas.
É preciso compreender as causas desses índices e como a atenção à saúde pode ser mais eficiente no cuidado com as mulheres negras.
Serviço: “Mulher Negra e Saúde”
Palestra gratuita aberta ao público
Data: 07 de junho
Local: Rua Tinguis, 246
Horário: a partir das 18h3
