Publicação reúne conselhos para pais, mães e responsáveis por crianças e adolescentes LGBTQIA+
Cecília França
No Mês do Orgulho LGBTQIA+, a associação Mães pela Diversidade lança a cartilha ‘Confie no Amor’, uma publicação voltada para pais, mães e responsáveis por pessoas que se identificam como lésbicas, gays, transexuais, não bináries, dentre outras possibilidades de orientação sexual e identidade de gênero.
Como o próprio título demonstra, a cartilha utiliza linguagem empática, pautada na importância da amorosidade. Também utiliza linguagem neutra em alguns termos, como todes e filhes, para refletir a diversidade das vivências LGBTQIA+.

Na carta de apresentação da cartilha, as Mães pela Diversidade, que completam 10 anos de existência em 2024, explicam que a associação nasceu da angústia diante das violências sofridas por filhes LGBTQIA+ no país, mas que o foco se ampliou para a família.
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“Com o passar do tempo, entendemos que não são só os filhes que precisam ser acolhidos, mas também mães e pais que chegam até nós se sentindo sozinhos, aflitos e confusos. E, se conseguirmos ajudá-los, desarmando preconceitos, teremos cumprido a missão de proteger crianças e adolescentes.”
De acordo com a associação, cada vez mais pessoas jovens têm procurado esse tipo de apoio.
“(…) temos visto com alegria e alívio a chegada de jovens pais, mães e responsáveis comprometidos com o bem-estar de crianças trans e adolescentes LGBTQIA+, antes mesmo de qualquer preocupação. E junto com eles chegam também as famílias aliadas”, explicam, destacando que mesmo famílias sem filhos LGBTQIA+ podem contribuir na luta.
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O caminho desde a descoberta
Na cartilha, as Mães pela Diversidade destacam que quando um filhe “sai do armário”, pais, mães e responsáveis saem junto. Isso porque existe todo o processo de aceitação, de publicização e de como lidar com as reações de familiares e da socidade.
Neste momento a cartilha aponta três entendimentos necessários: 1.Não é uma escolha ser homossexual, transexual, bissexual ou assexual; 2.Seu mundo não vai acabar; 3.Filhes continuam iguaizinhos, você é que não os via por inteiro.
“Escute seu coração. Ele não continua batendo igual pela sua filha, filhe e filho? A alma e o coração deles não mudaram também. Todos os momentos em que vocês estiveram juntos, do nascimento até agora, não vão deixar de existir. A diferença é que agora eles estão se mostrando por inteiro, sem precisar esconder uma característica fundamental da identidade.”, destaca trecho da cartilha.
A publicação busca trabalhar com sentimentos como culpa, vergonha, medos e preocupações que surgem a partir da descoberta de filhes LGBTQIA+. Elas destacam que para lidar com esses sentimentos é fundamental se informar com fontes confáveis.

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Perigos e direitos
Ter um filho LGBTQIA+ em um país que acumula índices de violência contra essa população (leia mais nos links disponíveis ao longo da matéria) pode assustar. A cartilha das Mães pela Diversidade aborda esses temas complexos, mostrando o cenário real e trazendo um compilado de informações legais e direitos dessa população.
Acesse a cartilha completa aqui: Cartilha-Confie-no-Amor

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