Atleta de Presidente Prudente conheceu o esporte aos 11 anos, mas precisou esperar quase uma década e superar uma cirurgia de escoliose para voltar às quadras
Nelson Bortolin
Pedro Lucas Mendes Alves, 20 anos, de Presidente Prudente (SP), confirmou sua participação no 1º Open Internacional Pan-Americano de Parabadminton, promovido pelo Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (ILECE), com apoio da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd), da Federação Paranaense de Badminton (BFP) e da Fundação de Esportes de Londrina (FEL). Tendo a Itaipu Binacional como patrocinadora master, a competição será realizada no Ginásio Moringão, em Londrina, entre os dias 20 e 24 de julho.
Atleta do Sesi de Presidente Prudente, Pedro vai competir na categoria WH1 (Wheelchair 1), destinada a atletas que utilizam cadeira de rodas e apresentam comprometimento dos membros inferiores e da função do tronco. Ele tem mielomeningocele, uma malformação congênita em que a coluna vertebral e o canal medular não se fecham adequadamente nas primeiras semanas de gestação.
Apesar de praticar parabadminton há apenas dois anos, Pedro já conquistou resultados importantes. Em 2025, foi campeão brasileiro sub-23 e também obteve o segundo lugar no campeonato estadual. O atleta já participou ainda de uma competição pan-americana.

A trajetória até chegar às quadras, no entanto, foi longa. Pedro começou a praticar esportes aos 10 anos, na natação, e teve o primeiro contato com o parabadminton um ano depois. Na época, treinava no Sesi porque o Centro Olímpico de Presidente Prudente estava em reforma. Foi nesse período que Maiara, técnica de parabadminton, o viu e fez o convite para experimentar a modalidade. “Eu nem conhecia o esporte, meu foco era a natação. Fiz um teste, gostei e fiz uma aula, mas não pude continuar porque tinha um problema na coluna, uma escoliose bem séria. Os médicos me liberaram somente para a natação, porque o badminton é um esporte de impacto”, conta.
Dez anos na natação
Impedido de continuar no parabadminton naquele momento, Pedro dedicou-se à natação durante dez anos. Nesse período, acumulou conquistas em campeonatos brasileiros, estaduais e nas Paralimpíadas Escolares.
A natação também teve papel fundamental na saúde do atleta. Segundo Pedro, a escoliose atingiu um grau de gravidade que começou a comprometer sua respiração. “A natação me ajudou muito por causa da escoliose. O meu caso era bem grave. Se eu não tivesse feito uma cirurgia (há quatro anos), possivelmente teria que retirar uma parte do pulmão, porque não estava conseguindo respirar direito. Se eu não tivesse nadado, poderia ter sido ainda pior”, afirma.
Depois da cirurgia para correção da escoliose, na qual foram colocados 28 parafusos e duas hastes de titânio, ele teve liberação médica para, finalmente, voltar a praticar badminton. Para Pedro, a prática esportiva ultrapassa a busca por medalhas e resultados. “O esporte, para mim, é a minha vida. Hoje em dia, não me vejo mais sem ele. Principalmente o badminton e a natação, que são os esportes que pratiquei. Hoje, o esporte é também o meu trabalho.”
Bolsa ajuda a pagar faculdade e competições
Pedro recebe R$ 1.025 mensais por meio do Bolsa Atleta do governo federal. Estudante de Fisioterapia, ele utiliza parte do recurso para pagar a faculdade e economiza o restante para disputar competições internacionais. Embora reconheça a importância do benefício, o atleta considera insuficiente a valorização do paradesporto no País. “O Brasil é uma potência nas Paralimpíadas e temos muitos atletas bons, mas não há muita valorização. Um atleta não consegue se manter com R$ 1.025. Eu pago a minha faculdade e guardo o restante para competições internacionais que pretendo disputar fora do País”, afirma.
Segundo Pedro, as despesas das competições internacionais precisam ser custeadas pelo próprio atleta quando não há convocação para representar a seleção brasileira. “Quando quero ir a uma competição internacional, tenho que bancar os custos, a não ser que receba uma convocação da seleção.”
Para disputar o Open de Londrina, Pedro também irá por conta própria, já que o Sesi não participará da competição. A presença de familiares na cidade, entretanto, facilitou sua participação e tornou o torneio ainda mais especial.

Família poderá acompanhar competição
Pedro afirma estar ansioso para competir no Moringão. Além da oportunidade de buscar um bom resultado, o Open permitirá que seus familiares que moram em Londrina acompanhem de perto uma competição de parabadminton pela primeira vez. “As expectativas são as melhores possíveis. É o primeiro Open e eu tenho família em Londrina, meus tios moram aí. É uma oportunidade para minha família conseguir me ver jogar, conhecer o meu esforço diário nos treinos e me ver colocar em prática tudo o que treino”, afirma.
Aos 20 anos e ainda no início da trajetória no parabadminton, Pedro acredita ter um longo caminho pela frente. Seu objetivo agora é melhorar a posição nos rankings e ampliar a participação em competições nacionais e internacionais. “Estou há pouco tempo no esporte e ainda não tenho uma boa colocação nos rankings, mas estou trabalhando para isso”, diz.
Informações sobre a competição com o professor Edmundo Novais, do Ilece (+55 43 8828-7789).

