Pedagoga Elen Luz alerta sobre desconhecimento e distorção do papel dos Conselhos: ‘ECA e ponto final’

Cecília França

Reeleita para mais um mandato no Conselho Tutelar em Londrina, a pedagoga Elen Luz fez um desabafo nas redes sociais sobre o processo deste ano. “Quanta pressão, quanta pergunta e temas que não contemplam a atuação de um conselho tutelar”, expôs.

Dentre as perguntas recebidas por Elen, “Você é a favor ou contra a vacina de covid para crianças”, “Você é a favor ou contra o aborto?” “Você é a favor ou contra a liberação da maconha?”. Como resposta a conselheira explicava sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“A resposta: Você conhece o ECA? Você sabia que o Conselheiro Tutelar trabalha pautado nele? Não legislamos, seguimos a lei, ou seja, o que está pautado em lei, no ECA. Somos profissionais, aplicamos medidas de proteção às crianças e adolescentes. Não julgamos a organização familiar, não valoramos condutas pessoais e não temos atribuições relacionadas a pautas morais, religiosas e afins. Participamos da construção de políticas públicas do município, aplicamos medidas protetivas quanto à prioridade absoluta, que é proteger nossas crianças e adolescentes. Quanta distorção em um processo de escolha…lamentável”, escreveu.

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Elen ressalta que o foco deve ser em educação, saúde, cultura, assistência social, esporte, lazer e inclusão social. “Estamos falando sobre defesa de direitos de crianças e adolescentes e não sobre defesa de ideologias ou partidarismos políticos. O que cada profissional acredita e pensa cabe somente a ele e sua vida pessoal, no âmbito profissional, nossa conduta deve estar unicamente baseada no ECA e ponto final”.

Em conversa com a Rede Lume, Elen reiterou o conteúdo da postagem. “Acho que é importante falar sobre isso. Tem muita gente esperando que conselheiro vai fazer lei, e não é isso, a gente defende o ECA. O que me importa é se a criança está protegida ou não está, se ela está sendo respeitada no seu direito de escolha, em todos os seus direitos”, afirma.

Conselho Tutelar: eleição polarizada em todo o país

As angústias expostas pela conselheira vão ao encontro de notícias divulgadas sobre a polarização do processo para o Conselho Tutelar em todo o país. Reportagem do portal O Globo mostrou que a polarização entre eleitores do presidente Lula e do bolsonarismo se repetiu no processo.

Em Curitiba, o jornal Plural mostrou o mesmo embate entre progressistas e conservadores.

O número de eleitores também foi atípico. Só em Londrina, 16.276 pessoas compareceram às urnas, 42% a mais do que na última eleição, em 2019. Foram eleitos na cidade 25 conselheiros e conselheiras e 23 suplentes que atuarão no cinco conselhos tutelares da cidade. 

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