Grupo Justiça por Almas cria espaço para acolhimento

Nelson Bortolin

Mais de 20 pessoas se reuniram na última quarta-feira (28) à noite, numa igreja do Jardim Califórnia, em Londrina, para partilhar a dor da perda de entes queridos mortos pelas forças de segurança na cidade. Foram mais de três horas de choro e acolhimento, num encontro que se utilizou da metodologia de Círculos de Construção da Paz, coordenado pela pedagoga Glória Cardozo.

Estiveram na reunião mães, pais, avós, tios e amigos dos falecidos. São integrantes do grupo Justiça por Almas (@justicaporalmas), que luta para que os casos de mortes em alegados confrontos policiais sejam investigados e os possíveis culpados sejam punidos.

“Para mim, foi um primeiro passo importante para encontrar um lugar seguro para essas pessoas compartilharem a dor e o desafio de seguir em frente apesar desses episódios tão trágicos na vida de quem perde uma pessoa amada vítima de violência”, afirma a pedagoga, que atua no Centro de Socioeducação (Cense 2), e trabalha com a metodologia há oito anos.

Cada um da roda teve tempo para expressar seu sentimento. “Há quem expresse com palavras, quem expresse trazendo à tona aquele choro que às vezes está mais silenciado. E há quem prefere silenciar”, diz a pedagoga.

Ela ressalta que um dos pressupostos dos círculos é a confidencialidade. “Temos um compromisso de que as histórias partilhadas não serão levadas para fora”, conta.

Novos Círculos de Construção da Paz deverão ser realizados com o grupo, mas ainda não estão agendados.

A região de Londrina é a que tem a maior letalidade policial em todo o Paraná. Clique aqui e saiba mais.

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