Máquinas da Prefeitura foram impedidas de deixar o Assentamento sem conclusão das obras, aguardadas há 10 anos
Da Redação
Foto em destaque: Protesto realizado hoje no Eli Vive/Jovana Cestille
Nesta terça feira (6), as famílias do Assentamento Eli Vive, em Londrina, voltaram a se mobilizar devido às más condições das estradas. Além de afetar o escoamento da produção dos assentados, as estradas ruins impedem o acesso de crianças e adolescentes à educação, já que o transporte escolar não consegue transitar.
Como forma de protesto, hoje as famílias trancaram uma estrada do assentamento para assegurar que as máquinas da Prefeitura que estavam trabalhando na estrada principal não deixassem o Assentamento. Elas buscam garantir que o serviço necessário nas estradas internas do assentamento seja executado, garantindo que o transporte escolar possa circular.
“Há 10 anos as famílias do Eli Vive lutam pela readequação das estradas, um direito que vem sendo negado, e sem condições adequadas, os ônibus do transporte escolar quebram muito, e a empresa responsável notificou a prefeitura de Londrina que a partir de amanhã (07.08) deixará de fazer algumas linhas onde as condições estão mais precárias.”, informa a assessoria do MST.
Em assembleia, as famílias do Eli Vive definiram que enquanto as estradas não tiverem melhores condições, as máquinas da prefeitura não devem deixar o assentamento.
A reportagem pediu um posicionamento da prefeitura, via assessoria de comunicação, e aguarda retorno.
Dificuldade que se repete
A dificuldade das crianças do assentamento de acessarem à escola é recorrente, como a Lume já mostrou em 2022. Em março de 2023, a situação foi denunciada ao Ministério Público e em novembro do mesmo ano, sem solução, as famílias ocuparam a frente da Prefeitura em protesto.

“Não tem estrada. São carreadores que as famílias mesmo construíram esperando. Em dias de chuva, a situação fica precária. Agora, o que está acontecendo? Não tem mais condições. Nós não temos mais nem carreadores. Estado de calamidade mesmo. As famílias não conseguem nem sair dos seus lotes, a educação não funciona, as crianças não conseguem vir para a escola. Há mais de 15 dias que a gente não consegue ter aula decente dentro do assentamento. Famílias com problemas de saúde não saem. As famílias se revoltaram”, disse Sandra Flor, coordenadora do MST Paraná e assentada do Eli Vive na época.
Dos 109 quilômetros de estradas dentro do Eli Vive, somente 14 foram feitos até hoje, e por medida judicial.
