Ministério das Mulheres soma-se à luta da UBM e de familiares da artista venezuelana assassinada no Amazonas

Da Redação

Foto em destaque: A artista Julieta Hernández/Reprodução Instagram

O Ministério das Mulheres emitiu nota nesta quarta-feira (5) manifestando apoio à ação articulada pela União Brasileira de Mulheres (UBM) e os familiares da artista venezuelana Julieta Hernández, que performava a palhaça Miss Jujuba, pelo reconhecimento de seu assassinato como feminicídio. Julieta viajava de bicicleta pelo Brasil quando foi assassinada no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas, nos primeiros dias de janeiro de 2024. No dia 14 do mesmo mês, o Ministério Público do Estado do Amazonas denunciou os acusados Thiago Angles da Silva e Deliomara dos Anjos Santos pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), estupro e ocultação de cadáver.

Na nota, o Ministério das Mulheres ressalta que “A violência contra Julieta Hernandez apresenta características de um crime misógino e xenófobo, de ódio à artista circense como mulher e como migrante” e reforça a importância das Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres – Feminicídio, e também da Resolução nº 492/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tornou obrigatórias as diretrizes do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero pelo Poder Judiciário.

Na segunda-feira (4), a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, e a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Denise Motta Dau, receberam a comitiva que tem buscado junto à Justiça o reconhecimento do assassinato de Julieta como feminicídio. Entre as pessoas presentes estavam Sophia Hernández, irmã de Julieta Hernández, o advogado Carlos Nicodemos, o representante da Embaixada da Venezuela Éfren Martin, a Presidenta da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, e a Presidenta da UBM, Vanja Santos.

Leia também: Observatório critica MP por não ver feminicídio em crime contra estudantes

O Ministério se comprometeu a monitorar e acompanhar o caso no âmbito jurídico e também político, uma vez que “reconhece a preocupação dos familiares e advogados da vítima pela ausência do devido tratamento jurídico ao caso como uma grave violação de direitos humanos das mulheres e dos migrantes”, bem como “reforça a crença nas instituições brasileiras para que este caso e o de todas as mulheres que recorrem à Justiça não fiquem impunes, por suas vidas e pelo direito à memória.”

Na próxima semana, a secretária Denise Dau estará junto de familiares e amigos de Julieta em uma visita aos órgãos públicos envolvidos no processo, como o Ministério Público do Amazonas, Tribunal de Justiça e delegacia do município de Presidente Figueiredo.

Julieta presente!

No dia 12 de janeiro, poucos dias após o feminicídio de Julieta ser noticiado, artistas e ativistas de diversos locais do país promoveram bicicletadas em sua memória e por justiça. Em Londrina, o grupo se reuniu no Canto do Marl (Movimento dos Artistas de Rua de Londrina). Na ocasião, a atriz Mariana Corte Ferrari, que dá vida à palhaça Cora, contou como a história de Julieta a tocava como mulher e artista da palhaçaria.

“Eu não conhecia a Julieta, mas como na comunidade da palhaçaria muita gente se conhece, logo a notícia de seu desaparecimento chegou a nossas redes sociais, juntamente com as campanhas de procura por ela. Mesmo sem a conhecer me sinto próxima, pois compartilhamos da mesma arte e somos mulheres”, explicou.

Relembre a manifestação no vídeo abaixo: