Sob a coordenação do assistente social Alisson Poças, CDH elenca prioridades na defesa dos direitos humanos em Londrina
Cecília França
Foto em destaque: Nova diretoria do CDH Londrina/Divulgação
O Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina elegeu, no último dia 17, a nova diretoria para o triênio 2024-2026. Sob a coordenação do assistente social e comunicador popular Alisson Fernando Moreira Poças, o CDH segue com o trabalho de reestruturação iniciado em 2021 e elenca pautas prioritárias na defesa dos direitos humanos na cidade.
Combate a violência policial, direitos dos encarcerados e encarceradas, direitos das mulheres e combate ao racismo estrutural estão entre as prioridades de atuação do CDH.
Além de Poças, compõem a nova diretoria o professor Joaquim Pacheco Lima (Pio) como secretário e a assistente social Valmirete Alves como tesoureira. Alisson e Valmirete também são integrantes do coletivo de comunicação popular Papo Reto Londrama.
“Assumimos a nova gestão do Centro de Direitos Humanos de Londrina com alguns desafios que nos movem a continuar na articulação de melhorias na qualidade de vida da população, com um caráter popular, que deve nortear todas as nossas ações nos próximos 3 anos”, diz Alisson.
“Já estamos hoje ocupando vagas em Conselhos importantes, como o Conselho Permanente dos Direitos Humanos do Estado do Paraná (COPEDH), assumimos recentemente vaga no CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos de Crianças e Adolescentes de Londrina), estamos com pessoas ligadas diretamente ao CDH no Conselho Municipal de Cultura, no Conselho Municipal de Planejamento Territorial, no Conselho Municipal de Defesa do Consumidor”.

Parcerias e recursos
Alisson relata que o trabalho de reestruturação do CDH teve início em 2021, sob a coordenação da militante histórica Maria Giselda de Lima Fonseca. Segundo ele, após a superação de muitas dificuldades, agora a entidade está preparada para ampliar parcerias e obter recursos.
“Queremos estabelecer alianças duradouras com as Universidades, com projetos de ensino e extensão; vamos ampliar as áreas de atuação em Londrina e Região Metropolitana; estamos propondo uma Coordenação Ampliada, mais democrática e participativa, através da mobilização das Comissões Temáticas do CDH; estamos em tratativas com a Defensoria Pública e organizando uma Comissão de Apoio Jurídico, para as nossas demandas”, relata Alisson.
O coordenador destaca parcerias com instituições e coletivos locais e busca por parceiros no Estado do Paraná. “Somos membros da Campanha ‘Despejo Zero’ Londrina em consonância com a Campanha Estadual; participamos ativamente da Jornada de Agroecologia do Estado do Paraná, fomentando ainda mais a aliança camponesa e operária”.

Outra prioridade da nova diretoria do CDH é batalhar por recursos financeiros para a manutenção das atividades e por uma estrutura mínima de funcionamento. “Hoje contamos com a colaboração de doação de algumas pessoas ligadas ao campo dos Direitos Humanos em Londrina para desenvolver atividades pontuais; estamos escrevendo projetos, atentos aos editais e parcerias; queremos desenvolver projetos de formação nas comunidades, atrair novas lideranças, ser presença solidária junto aos movimentos sociais do campo e da cidade e coletivos diversos. Enfim, temos muita potência em Londrina e região e queremos fortalecê-los”, explica Alisson.
Pautas prioritárias
Após o período de retrocesso no campo dos direitos humanos e sociais, imposto pelo “desgoverno Bolsonaro, que retirou direitos e favoreceu a intolerância e instigou a violência”, Alisson aponta prioridades. Em sua opinião, o governo do Estado replica o modelo do bolsonarismo com ares de “modernidade”.
“Precisamos avançar com a questão da violência policial, direitos das encarceradas e encarcerados, defesa dos direitos das mulheres (contra o machismo e a misoginia), na luta contra o racismo estrutural (com especial atenção aos adeptos de religiões de matriz africana), atenção aos migrantes e imigrantes, interface com a segurança alimentar, atendimento a pessoas em situação de rua”, elenca.
“É necessário, também, olhar atento com os conflitos fundiários no campo e na cidade, com a educação das crianças, adolescentes e juventude, com a repressão de movimentos culturais; estarmos mais próximos dos movimentos sociais e das comunidades, sobretudo das camadas mais populares. Além disso, é fundamental recolocar a cidade de Londrina nas discussões em nível estadual e federal, pois ficamos algum tempo sem representação nessas instâncias”.
Como participar
O CDH está com filiações abertas. Quem tiver interesse em participar do coletivo deverá preencher formulário disponível aqui. “Entendemos que minimamente todas e todos que desejem participar das ações têm que ter afinidade com o campo de defesa dos Direitos Humanos”, alerta Alisson.
Segundo o coordenador, em janeiro e fevereiro de 2024, a diretoria fará um planejamento do novo ano. “Em breve vamos divulgar os calendários de ações, para ativistas, membros de coletivos, partidos, sindicatos, estudantes, se somarem aos enfrentamentos e fazerem parte das nossas ações.”
Quem quiser entrar em contato com o CDH também pode usar o e-mail cdhlondrina.pr@gmail.com ou acessar a página do Facebook da entidade.
A Lume faz jornalismo independente em Londrina e precisa do seu apoio. Curta, compartilhe nosso conteúdo e, quando sobrar uma graninha, fortaleça nossa caminhada pelo PIX (Chave CNPJ: 31.330.750/0001-55). Se preferir contribuir com um valor mensal, participe da nossa campanha no Apoia-se https://apoia.se/lume-se.
