Por Vinícius Fonseca*
Durante a semana passada foram divulgados dados do Censo 2022 sobre saneamento básico. Números preocupantes, mas para além dessas informações tive outra sensação me tomando ao acessá-los. O desejo de ter um balanço do mesmo censo sobre as Pessoas Com Deficiência (PCD).
Olha, a minha pesquisa trouxe dados interessantes e a possibilidade de discutir algumas coisas com vocês. Os números conseguidos são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD).
O Brasil tem 18,9 milhões de pessoas com dois ou mais anos com alguma deficiência, ou seja, quase 9% da população brasileira é PCD. Os dados coletados apontam para esse público como tendo um menor acesso à educação, trabalho e renda.
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Não quero me fazer de vítima ou que tenham pena das pessoas com deficiência, mas quero convidar à reflexão com base nas informações que obtive. Um País mais justo e igual, que acredito ser o que almejamos, passa por uma transformação nesses pontos.
Quero começar falando com vocês sobre a educação. Enquanto 93,9% das crianças sem deficiências de 6 a 14 anos frequentam o ensino fundamental, essa taxa é de 89,3% entre PCDs. O pior é que o percentual de pessoas com deficiência nos bancos escolares vai diminuindo conforme elas avançam no ensino. Até chegar a pouco mais de 14% na educação superior, enquanto a média de pessoas sem deficiência, nessa mesma etapa, supera os 25%.
Os números não me surpreendem. Minha última especialização foi a de Metodologia do Ensino Superior, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e eu já sabia que eram poucos os PCDs que, como eu, chegavam à Universidade.
Vale lembrar ainda que esses números se referem à chegada e não necessariamente à conclusão de um curso o que, embora a pesquisa não mostre, deve deixar os números ainda menores.

Refletindo sobre esses dados e tendo como base as minhas próprias vivências, durante a minha vida escolar, até me tornar um multiespecialista, posso listar algumas das possíveis dificuldades encontradas pelos PCDs com relação a educação.
A primeira é a dificuldade de aprendizado originada pela própria deficiência, mas para além dela temos o preparo de professores e também do ambiente escolar para receber e integrar alunos com alguma limitação. O bullying sofrido durante toda ou boa parte da sua trajetória educacional, além é claro dos problemas naturais de acessibilidade que temos nas cidades de todo o País.
Em apenas um parágrafo já consegui listar pelo menos 4 motivos que impactam diretamente no acesso da pessoa com deficiência à educação. Reflita agora você e pense nos que eu mesmo não consegui lembrar. Principalmente, se desmembrarmos alguns motivos mais gerais que dei, tenho certeza, encontraremos pormenores que acentuarão as justificativas para a ausência da pessoa com deficiência nesses locais.
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Acontece que um País mais justo e igualitário começa pelo acesso à educação. Só ela vai transformar a realidade das pessoas, com ou sem deficiência.
É a educação que garante ou deveria garantir, por exemplo, emprego e renda, temas que pretendendo abordar no próximo texto, mas como posso me manter otimista?
Poderiam ser apenas números frios de uma pesquisa qualquer, mas para um entusiasta da causa PCD, soou como um duro choque de realidade, um balde de água fria no sonho de igualdade.
*Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente.
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