Mãe de rapaz morto pela polícia presta homenagem no aniversário de 18 anos do filho

Cecília França e Nelson Bortolin

O dia 16 de julho ganhou um novo significado para a funcionária pública de Cambará Rosangela Prado Ronqui. Antes um dia de festa, pelo aniversário de seu filho Luiz Antônio, tornou-se um dia de perda. Morto pela polícia em novembro de 2023, aos 17 anos, ele teria completado 18 anos na última terça-feira, mas a família não pôde celebrar a data.

A maior angústia da mãe é a ausência de respostas sobre como se deu a morte do filho. Na versão oficial da PM, ele e outros dois homens participaram de um assalto e, após emboscada e fuga, entraram em confronto com os agentes. Dois foram mortos, incluindo Luiz Antônio.

Rosangela não acredita que o filho tenha participado do assalto. Para ela, houve tortura seguida de execução. “Eu não pude nem ver meu filho uma última vez, foi velado com caixão fechado”, lamenta Rosangela.

Seus filhos – ela diz – sofreriam perseguição das polícias da cidade pelo fato do pai ter antecedentes criminais e ser acusado de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Qualquer coisa que acontece na cidade, dizem que foram meus filhos que fizeram”, diz ela.

Pedido de socorro

A perseguição a Luiz Antônio e ao outro rapaz morto aconteceu dentro de uma mata, para onde eles correram após a emboscada. Rosangela conta que o filho enviou vídeos e audios com pedido de socorro para o celular da avó. Sabendo a localização exata deles, a família seguiu para o local.

Chegando lá, foram impedidos pela polícia de entrar e Rosangela desconfia que Luiz Antônio já estava morto.

“A gente teria ouvido os tiros, porque foram muitos. Mas não ouvimos nada”, afirma. “Só fiquei com a voz do meu filho pedindo socorro”, lamenta a mãe.

Ausência de informação

A investigação sobre a morte de Luiz Antônio foi arquivada e Rosangela tenta reverter isso na justiça. Ela aponta falhas na investigação, como, por exemplo, o sumiço do celular e das roupas do filho.

“Eu só quero uma resposta. Quero entender até onde foi o sofrimento dele e por que mataram. Quero a verdade”, finaliza a mãe.