No Carnaval, tenha responsabilidade para não estereotipar ou ridicularizar a vivência de outras pessoas

Cecília França

Foto em destaque: Carnaval 2023 em Londrina/Filipe Barbosa

Carnaval chegou, os bloquinhos estão nas ruas de inúmeras cidades do país, a purpurina, os confetes e serpentinas voam por aí. Tempo de alegria e fantasia. Mas nem tudo que já foi aceito como fantasia continua sendo. Aproveitar o Carnaval não pode significar a estereotipação ou ridicularização de pessoas. Confira dicas de projetos e entidades sobre o que não vestir na folia e aproveite com responsabilidade.

O projeto Linguagem Inclusiva, mantido por Odette Castro, que já assinou coluna na Rede Lume, alerta: “Algumas fantasias já não fazem parte do nosso Carnaval. Não seja demodê”. Odette elenca cinco exemplos do que não usar na folia:

1. Cocar, pintura no corpo e apito. “A cultura indígena não é fantasia.”

Card postado pelo projeto Linguagem Inclusiva/Reprodução

2. Pintar o rosto de preto, como “nega maluca”. “Isto se chama blackface e é racismo. Peruca black power vem de um movimento antirracismo e também não é fantasia.”

3. Homem se vestir de mulher de forma pejorativa e estereotipada.

4. Fantasias de enfermeiras e de uniformes de trabalhadores domésticos. “A de enfermeira vem de um velho conceito de que mulheres enfermeiras são vulgares e sexuais. A de empregada doméstica escancara a desigualdade social.”

5. De freiras, padres ou qualquer outra que faça alusão às religiões, qualquer que seja.

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Travesti não é fantasia!

A ONG Minha Criança Trans fez uma postagem com esse alerta, lembrando que “travestis e pessoas trans merecem ser tratadas com dignidade, não como piada de Carnaval – e também merecem curtir as festas como qualquer pessoa, sem chacota e violência.”

A organização segue lembrando que ser travesti ou transexual não é “algo que se pode vestir por um dia de festa e tirar tudo para dormir à noite”. “Essas ‘brincadeiras’ de passar-se por travesti da forma mais caricata possível durante o Carnaval apenas ampliam o preconceito e a chacota social contra a comunidade T”.

A ONG ainda responde ao lugar “Ah, mas isso sempre teve!”. “A questão é que hoje nós temos a consciência e informação de que essas ‘brincadeiras’ são ofensicas e humilhantes para determinadas pessoas da nossa sociedade”.

Cards da postagem da ONG/Reprodução

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