Consulta pública vai definir destino de praça no Jd. Igapó

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Urnas foram espalhadas em comércios da Avenida Inglaterra para ouvir da população com quais equipamentos públicos gostariam de contar na Praça Pedro Pezzarini

Cecília França

Termina na próxima segunda-feira (15) uma consulta pública que vai definir melhorias a serem implementadas na Praça Pedro Pezzarini, situada no Jardim Igapó, zona Sul de Londrina. O local atende também moradores de bairros vizinhos, como Conjunto Jerumenha, Jd. Adriana 1 e 2, Jd. São Vicente, Monte Carlo e comunidade kaingang, todos convidados a responder a pesquisa, que questiona “Quais equipamentos públicos você quer na Praça Pedro Pezzarini?”. O resultado será encaminhado à prefeitura para avaliação e execução.

A necessidade da consulta surgiu quando moradores souberam da intenção de alambramento do campo da praça para uso por uma escola particular de futebol. Moradora do bairro há mais de 50 anos, a comerciante Ivonete Nunes diz que a possibilidade levou o grupo a questionar a prefeitura e a mobilização culminou em uma reunião com o prefeito no dia 5 de outubro.

“De uma hora para a outra soubemos que alguém que nem mora no bairro queria fechar esse campo, botar portão e cadeado e ficar com a chave. É um espaço lindo, mas não adequado. Conversando com as pessoas, principalmente com as mulheres, notamos que nós mulheres não temos um espaço público. As crianças têm, os homens têm, mas as mulheres não. Então essa praça precisa ser pública para todos e para todas. Que as mulheres se sintam bem de estar ali”, defende a moradora.

A maior parte da praça é ocupada pelo campo. Também há pistas de bocha, malha e parque infantil. Para Ivonete, a polêmica em torno do alambramento acabou gerando uma mobilização positiva, “porque, de repente, as pessoas estão pensando naquele espaço de outra forma”.

“Estou adorando o que as pessoas estão relatando. Tem umas que querem banheiro químico, tem umas que querem o alambramento, outras dizem que se colocar, derrubam na sequência”, diverte-se.

Teresa Mendes, moradora do Igapó há quase 50 anos, diz que sempre lutou para que a praça seja um espaço realmente público, que atenda todos os moradores e moradoras do entorno. Ela conta que já houve outras investidas que no sentido de restringir o uso da praça para determinados grupos. Algumas situações resultaram até mesmo em atos violentos, lembra ela. Por isso a consulta pública está sendo considerada a melhor saída.

“A gente está focando na consulta pública porque foi a primeira vez que o prefeito falou. A gente quer que as mudanças sejam para que possa ser um espaço de convivência, e não de conflito. Eu não abro mão de utilizar a praça porque é um direito”, reafirma. Teresa esteve na reunião com o prefeito no início de outubro e ouviu dele a garantia de que só serão executadas mudanças sugeridas pela maioria da população.

Em 2013, a praça foi motivo de debate diante da proposta de construção de um ginásio coberto no local, considerada inviável por parte da população.

Pandemia evidenciou necessidade do espaço

Sidnei Santos vive nas imediações da praça há cerca de 10 anos. Para ele, o espaço hoje atende desde os idosos até as crianças e não carece de mudanças expressivas. Uma possível transferência para a iniciativa privada seria negativa.

“O Jd. Igapó é um espaço de lazer muito importante para comunidade, isso eu observei desde que mudei para cá. Tem o campo de futebol que é utilizado tanto por pessoas aqui do bairro quanto por quem vem de fora; pessoal da terceira idade também utiliza bastante e, nos últimos anos, foi construído também um parquinho para as crianças. Ou seja, cumpre muito bem a necessidade em realação ao lazer da comunidade aqui”, afirma.

“Eu acredito que do jeito que está, funciona muito bem. A gente tem receio de ter um fechamento e, de repente, tirar esse acesso mais direto da comunidade, de ir ali num domingo qualquer horário, poder entrar com a criança, fazer um piquenique, poder correr”, avalia.

Ivonete Nunes reforça a importância da praça . “Agora na pandemia deu para notar que a comunidade precisa daquele espaço. Todo sábado e domingo tem futebol. Como na pandemia não tivemos os jogos, as pessoas ocuparam o espaço, vieram passear com o cachorro, andar de bicicleta com o filho, fazer piquenique em família”, destaca.

A comerciante espera que a prefeitura mantenha o compromisso de executar as melhorias que venham a ser sugeridas pela maioria da população. “A gente precisa adequar aquele espaço, ele não tem dono, todo mundo tem direito de participar dele”, finaliza.

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