Projeto do Promic resgata memória trans de Londrina

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Iniciativa será realizada por meio de podcasts e exposição fotográfica

Nelson Bortolin

Foto em destaque: Arquivo pessoal/Christiane Lemes

Por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), a Frente Trans Londrina está desenvolvendo um projeto que visa resgatar a história da cultura trans na cidade. O trabalho, que vai se materializar em podcasts e exposição fotográfica, terá como fio condutor a participação das travestis nos carnavais londrinenses.

“Temos muitos registros históricos de pessoas que fizeram parte da cultura trans. Estamos reunindo esse material”, explica o DJ e produtor cultural Oliver Letícia Fernandes de Oliveira, integrante do coletivo. “Quando a gente pesquisa a história, a gente vê que a travestilidade foi muito atuante no carnaval que acontecia no Autódromo”, alega. Ele conta que a extinta ONG Adé-Fidan tinha um carro alegórico que fazia a abertura do desfile.

O projeto será lançado durante a Semana Trans de Londrina, de 23 a 29 de janeiro. As entrevistas para os podcasts devem ser feitas no próximo mês e a exposição fotográfica vai encerrar o trabalho provavelmente em março, conforme explica Oliver.

O militante ressalta a importância do registro da participação das pessoas trans na cultura e também na promoção da saúde em Londrina. “A Frente Trans nasceu em 2021 e pode parecer que estamos sempre começando do zero. Mas há uma continuidade do trabalho desenvolvido por outros coletivos, como o Adé-Fidan, que vieram antes da gente.”

Oliver lembra que a transexualidade deixou de ser considerada transtorno mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018, mas que, no Brasil, a realidade das pessoas trans ainda é muito difícil. “O Brasil é o país que mais mata trans no mundo”, destaca. “Para travestis e pessoas trans, ainda é muito perigoso se expor.”

O DJ não vê muita diferença entre a militância que se faz atualmente e a de décadas atrás. Mas ressalta que a transexualidade ganhou visibilidade. “O projeto está aí para mostrar que a gente sempre esteve aqui, a gente sempre existiu.”

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