Grupo Mãos Solidárias aqueceu a manhã das mulheres detidas em Londrina com chocolate quente, bolo e música
Cecília França
Fotos: Grupo Mãos Solidárias
Mulheres detidas na Cadeia Pública Feminina de Londrina tiveram uma manhã diferente na última quarta-feira (17) quando o grupo Mãos Solidárias promoveu um café da manhã em comemoração ao Dia das Mães regado a bolo e música ao vivo, com voz e violão de Raffaela Campos.
Esta é a terceira ação realizada pelo grupo na cadeia. A primeira aconteceu às vésperas do Natal e a segunda no dia da mulher, em março. A Rede Lume acompanhou as duas com exclusividade e conversou com as detentas (leia aqui e aqui). Diferente das ações anteriores, o café da manhã não aconteceu no espaço da escola, mas no pátio, local que as presas, na rotina da cadeia, têm dia e hora para acessar.
O grupo Mãos Solidárias é formado por integrantes e paroquianos da Igreja Católica, liderados pelo padre José Cristiano Bento; do Tribunal de Justiça; do Ministério Público; do Departamento Penitenciário do Paraná (Deppen), outras entidades e organizações da sociedade civil. Todos participam enquanto cidadãos e cidadãs, e não como representantes das instituições.
Maria Ines Romagnoli, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, participou das três ações realizadas até hoje no preparo dos alimentos. “Quando nós fomos lá no café a gente estava super preocupada porque queria ter feito mais coisas, mas a gente fez com tanto carinho, com todo amor”, diz ela.


Além dos bolos, foi servido pão recheado com frango. Maria Ines comenta o quanto o gesto de compartilhar o alimento, que parece simples, toca as mulheres presas.
“Entregar um pedaço de bolo, o pão, chocolate quente e o café, foi uma emoção tão grande. Uma delas falou assim: ‘Vocês não têm noção de como é bom esses minutinhos que a gente passa aqui com vocês. Aqui nós temos um café, mas ele é muito ralo e quando a gente faz na nossa cela a gente faz com água do chuveiro, então não fica esse café gostoso, café de mãe, de família mesmo’”, conta Ines.
204 mulheres estão presas hoje em Londrina
Mais de 70% delas são mães
A paroquiana conta que os bolos são feitos por voluntárias com todo carinho e preocupação em agradar. O objetivo é proporcionar momentos de acolhimento para as presas. Agora, o grupo já pensa na festa junina.
“Eu trouxe (no café) mais duas pessoas que não tinham participado das outras vezes e já se encantaram. Esse projeto é um trabalho de formiguinha mesmo, que vai contagiando” define Ines.
Outra paroquiana da Nossa Senhora de Fátima, Maria de Lourdes Broietti, também participou pela terceira vez das festividades na cadeia. Para ela, “cada vez é uma emoção diferente”.
“Mexe no coração. Mãe é emoção, é doação e carinho. Tem essência tudo que a gente faz e com paciência. Isso que eu senti fazendo o bolo, as coisas que fizemos para levar. Como se fosse para minha mãe ou filhos, com amor”, conta ela.
Acolhimento e troca
A residente em gestão pública Rita Ramalho, integrante do grupo voluntário, acredita que a ação de quarta-feira proporcionou maior proximidade com as presas que as anteriores, por ter ocorrido no pátio.
“Ficou todo mundo junto, então passou uma sensação de mais proximidade com elas, até acho que elas se sentiram mais acolhidas. Dessa vez não teve dança, mas foi muito emocionante. Algumas choraram, algumas eram mães, outras são filhas, então foi um momento especial para elas e para nós que estávamos ali”, conta.
As presas acessaram o pátio divididas em grupos. Segundo Rita, cada um mostrou um estilo diferente.
“Os primeiros grupos pediram mais músicas com louvores e o último grupo pediu mais música de boteco, aquele sertanejo antigo, para cantar e se divertir. Até algumas dançaram. Foi um momento bem especial mesmo, emocionante também. Para algumas deu para perceber que foi triste e, para outras, algo mais acolhedor”.
“Mesmo indo lá várias vezes, cada experiência é única. Sempre é uma troca diferente, uma troca de afeto, uma troca de olhares, uma troca de abraços, cada uma dentro das suas limitações, mas sempre é algo muito especial”, finaliza.
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