Boletim especial do Projeto Safety, da UEL, traz números sobre violência contra as mulheres no Brasil e em Londrina e elenca serviços de atendimento

Cecília França

Imagem em destaque: Capa do boletim especial do Projeto Safety/Reprodução

Durante a pandemia da covid-19, o Projeto Safety nasceu com o intuito de trazer informações e análises confiáveis sobre aquele que era um vírus desconhecido e assustador. Passada a crise sanitária aguda, o projeto, desenvolvido na Universidade Estadual de Londrina (UEL), segue monitorando a situação epidemiológica da covid, mas abraça outras frentes, como a eliminação da violência contra as mulheres.

O último boletim especial do projeto foi publicado no dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, e é alusivo aos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, campanha que ocorre de 20 de novembro a 10 de dezembro no país.

O boletim, desenvolvido em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (CMDM), cita dados da quarta edição da pesquisa Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em março, para afirmar que todos os tipos de violência contra as mulheres registraram aumento no ano de 2022.

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O texto acrescenta que, em novembro, o Fórum atualizou dados sobre feminicídio no país, mostrando que 722 mulheres foram assassinadas somente no primeiro semestre de 2023, um aumento de 2,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

“Nesse contexto, no qual a violência atinge as mulheres e consequentemente toda a sociedade, este Boletim Especial, produzido em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, por meio da sua Comissão de Saúde das Mulheres, visa contribuir para uma sensibilização quanto à gravidade do problema e a necessidade da
adoção de ações amplas e articuladas para o enfrentamento à violência contra as mulheres, contemplando a prevenção, o combate, a assistência e a defesa de direitos.”, explica o documento.

Violência contra as mulheres em Londrina

De acordo com o boletim, de 2011 a 2022, foram registrados 8.756 casos de violência contra mulheres em Londrina, o que corresponde a 69% do total de casos de violência notificados no município no período. Os dados foram obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

As notificações de violências contra as mulheres no município têm as seguintes características: 45% das vítimas na faixa de idade entre 20 a 59 anos e 11% tinham 60 anos ou mais; em 59% dos casos a violência ocorreu na residência e 54% sofreu violência física.

“Apesar do aumento das notificações do SINAN, no período em análise, que passou de 195 casos em 2011, para 1005 casos em 2022, acreditamos que haja uma subnotificação nos serviços de saúde, se levarmos em consideração outras fontes de informação que nos sugerem um panorama bem mais grave no que tange à dimensão da violência contra as mulheres, como serviços das áreas da justiça, segurança pública e direitos das mulheres.”, alertam as produtoras do boletim.

Rede Municipal de Enfrentamento

Para as produtoras do boletim (Elaine Galvão, da Rede Feminista de Saúde; Marselle Carvalho, do Departamento de Saúde Coletiva da UEL; Priscila Colmiran, da Secretaria Municipal de Saúde e Sueli Galhardi, presidenta do CMDM) Londrina pode ser considerada privilegiada em relação à oferta de serviços de atendimento às mulheres em situação de violência, lembrando que foi uma das primeiras cidades do país a contar com uma Delegacia da Mulher (1986) e um Centro de Referência de Atendimento à Mulher (1993).

Boletim elenca serviços de atendimento à mulher/Reprodução

“Reconhecendo a importância do trabalho em rede, como forma de aprimorar o trabalho desenvolvido pelos diferentes serviços, no ano de 2011 foi instituída a Rede Municipal de Enfrentamento à Violência Doméstica, Familiar e Sexual contra as Mulheres. A estratégia do trabalho em rede promove a integração e articulação dos serviços, visando facilitar o acesso, dar mais celeridade aos atendimentos, evitar a peregrinação das mulheres na busca por apoio e proteção e sua re-vitimização.”

Marselle Carvalho, coordenadora do Projeto Safety, lembra que a produção de boletins especiais teve início durante o período de isolamento da pandemia, “porque o isolamento acabou sendo um fator importante (mas não exclusivo) para os casos de violência interpessoal contra as mulheres”.

E explica que a temática dialoga com os objetivos do Safety. “E como o projeto trata de segurança, resolvemos continuar com a publicação de boletins especiais como uma estratégia de disseminação de informações sobre temas relevantes”, finaliza.

Acesse o boletim aqui.