Da Redação
Foto: Isaac Fontana-2021
No dia 31 de março de 2019 a Rede Lume de Jornalistas fazia sua primeira publicação: uma entrevista com o arcebispo de Londrina, Dom Geremias Steinmetz, na qual ele criticava a tentativa de revisionismo histórico sobre a ditadura militar brasileira. Ali a Lume já marcava seu posicionamento progressista, de combate à desinformação e em defesa dos direitos humanos.
O dia 31 de março de 2024 marcou os 5 anos deste projeto independente, pensado para a defesa dos direitos humanos por meio do jornalismo. Nesse período foram muitas matérias importantes, exclusivas e de fôlego. Um pouco dessa história foi contada hoje, em reportagem, pela jornalista Patrícia Zanin, na UEL FM.
Ao longo de quase 20 minutos, Cecília França e Nelson Bortolin, fundadores da Lume, resgataram matérias que os marcaram, falaram sobre o impacto do trabalho para coletivos como o Justiça por Almas-Mães de Luto em Luta e destacaram as dificuldades de manter o projeto.
Ouça a reportagem aqui: Rede Lume 5 anos
“Só a gente sabe quão difícil tem sido, mas acho que é hora de a gente olhar o lado bom também, que é termos aberto espaço para muitas pautas e discussões que não são tratadas em outros veículos. Isso tem sido importante. Muita coisa marcou esses cinco anos, mas eu, particularmente, cubro bastante a questão da violência policial e acompanho os familiares de mortos pela polícia. Este é um assunto envolto em muita dor e revolta e a gente não consegue ficar impassível diante disso”, ressalta Nelson.
Cecília destaca a entrevista com Marilene Ferraz, mãe do adolescente Davi Gregório, morto pela polícia aos 15 anos, em 2021, como uma das mais marcantes desse período. Ela enxerga o caso como o estopim para a criação do grupo de familiares que lutam por justiça para seus filhos. “O que a gente vê, costumeiramente, é o relato oficial na maior parte dos veículos. As famílias realmente não tinham sua voz amplificada e a gente acredita que a Lume tem contribuído nessa pauta da letalidade policial”, afirma a fundadora.
Letalidade policial no Paraná foi tema de um debate promovido pela Rede Lume, em parceria com a UEL FM, em março de 2023, quando familiares puderam se encontrar e expor seus relatos a uma representante da Defensoria Pública do Paraná (DPE-PR) e do Gaeco, órgão do Ministério Público responsável por investigar mortes pelas forças de segurança.
O site e a emissora também foram parceiros em outros dois debates públicos: Fake News e Eleições (junho/2022) e Novo Ensino Médio: Os impactos para a educação pública (abril/2023).
‘Direitos humanos permeiam a vida dos excluídos’
Além dos fundadores, a reportagem da UEL FM ouviu Lua Gomes, coordenadora regional da Central Única das Favelas (CUFA-PR) e gestora do Conexões Londrina, e Mariana Guerin, jornalista que assinou coluna e foi sócia da Lume por três anos, sobre a importância do jornalismo focado em direitos humanos.
“Rede Lume, parabéns, e prósperos anos pela frente, com muita oportunidade de mostrar para as pessoas que direitos humanos é sobre saúde, é sobre educação, sobre moradia, sobre dignidade, sobre empoderamento de pessoas; é sobre o direito de viver, é sobre lutas anti discriminatórias. É sobre brigar pelo direito de existir. Os direitos humanos permeiam a vida dos exlucídos e eles recheam as linhas da Rede Lume”, declara Lua.
A ativista já foi tema de diversas reportagens da Lume, já figurou como entrevistada e também assinou textos no site. Na entrevista à UEL FM, Lua destacou a matéria que mais a marcou: uma entrevista com Ana Maria dos Santos para o especial Mães Solo, publicado em 2023. Leia aqui.
Mariana Guerin relembrou como a Rede Lume a inspirou a voltar para o jornalismo após uma temporada desenvolvendo a atividade de confeiteira. Foi durante a pandemia.
“Eu acompanhei o projeto da Cecília e do Nelson e me encantei pela coragem dos dois de procurar um outro jeito de fazer jornalismo de causa. Eu nada sabia sobre isso quando entrei para a Lume em 2020. Era o começo da pandemia e eu sentia que deveria contribuir com o debate de alguma forma e produz para os amigos iniciar uma coluna de perfis na Lume. Minha primeira matéria foi um perfil do Isaac Fontana, que havia trabalhado com a gente na Folha de Londrina e estava fazendo uma importante e sensível cobertura fotográfica da pandemia”, relembra Mariana.
Leia todos os textos de Mariana Guerin publicados na Lume aqui.
As mais lidas da história
“Se nos perguntassem quais as principais matérias da Rede Lume ao longo do tempo, certamente eu e o Nelson daríamos respostas diferentes. Utilizamos, então, o critério das mais lidas para fazer uma listagem e entender o impacto do nosso trabalho, e nos surpreendemos. Embora de diferentes temáticas, essas matérias têm elementos marcantes do trabalho da Lume: ineditismo e temáticas invisibilizadas, como violência policial e intolerância religiosa”, destaca Cecília França.
Publicada em 17 de maio de 2021, a matéria “Vídeo-poema e RAP alertam para prevenção da violência infantil”, assinada por Mariana Guerin, é a mais lida da história da Lume. Alusiva ao 18 de maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes – ela traz informações que merecem sempre ser lembradas. Releia aqui.
A segunda matéria mais lida da nossa história conta sobre a prisão injusta do londrinense Waldemar Garcia, 60 anos, por um assalto que ele alega não ter cometido em Arapongas, norte do estado. Assinada por Cecília França, a reportagem “Homem está preso injustamente há mais de 1 ano, diz família” traz as provas coletadas pela defesa na tentativa de libertar e absolver o idoso. O caso ganhou repercussão na Ponte Jornalismo, portal independente focado em violações do sistema de segurança. Relembre aqui.

Em outubro de 2020 ganhou repercussão nacional, após ser compartilhado pelo padre Julio Lancellotti, o vídeo do dono de um restaurante jogando água na calçada para expulsar um homem em situação de rua, em Londrina. Houve protestos, o empresário se justificou e o caso levantou debates na imprensa sobre o tratamento dado a essas pessoas. Mas ninguém o ouvia e Cecília França foi atrás de encontrá-lo para saber quem era o homem por trás da agressão. José Soriani faleceu pouco tempo após essa entrevista. Releia aqui a terceira matéria mais lida da nossa história.
Em 27 de outubro de 2022, a Lume foi o primeiro veículo a noticiar um ataque com artefato incendiário a uma Casa de Candomblé e Umbanda em Londrina. A matéria, que traz entrevista com a Iyalorixá Cláudia Ikandayo está entre as mais lidas no site. Confira aqui.
A cobertura da pandemia da covid-19 foi um marco para a Lume, com gráficos e análises exclusivas produzidas pelo nosso editor Nelson Bortolin. Nesta, que é a quinta matéria mais lida da nossa história, mostrávamos que “Enquanto o Brasil registra queda no número de mortes e de novos casos de Covid-19, Londrina vive seu pior momento da pandemia. Neste sábado (5), a cidade atingiu as médias móveis de 3,29 mortes diárias e de 148 novos casos diários. São os índices mais altos desde o começo da crise.” Relembre aqui.
Confira o top 10
A Rede Lume foi o único veículo a repercutir as manifestações por justiça da família de Cristiano Moreira de Almeida, conhecido como Barão, morto pela PM em Bom Sucesso, Vale do Ivaí. A matéria, assinada por Nelson Bortolin, tornou-se uma das mais lidas do site, com alguns desdobramentos. Relembre o caso aqui.
Completam o top 10 de matérias mais lidas da Lume:
MP denuncia policiais militares de Londrina por homicídio
Paraná é o segundo estado com menor número de policiais civis por habitante
‘Não desejo que nenhuma mãe passe por isso’, diz mãe de adolescente morto pela polícia
Bebê morre no Flores do Campo; frio pode ter sido a causa
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