Aliados pero no mucho
Por Antonio Rodríguez* 1 ano que o mundo se chocou.1 ano que uma morte estampou jornais.1 ano que sofrimento foi entretenimento.1 ano que a mesma imagem em loop povoa mentes.1 ano que o mundo descobriu que não respiramos.1 ano que pareceu que o mundo ia mudar.
Nós não aguentamos mais!
Por Antônio Rodríguez* Somos Faixas de Gaza sem mísseisSem domo de ouro para nos protegerDa nossa própria invasão internaQuem nunca pensou em desistirSe consumir em uma coluna de fogoQuando pegamos o jornal pela manhã?
!3 de Maio
Por Antônio Rodríguez* Todo dia que eu sento para escreverA caneta sente o peso das palavrasDe transformar sentimentos em frasesVersos que fazem mais sentido no papelDo que minha cabeça em parafusoRimas em fuso, um furacão de inspiraçãoIdeias que caíram em desusoTudo fluindo como se fosse o AmazonasE no final terminam nas mesmas lágrimasQue hoje formam
Quantos corpos se vão, em vão?
Por Antonio Rodriguez* Com o fuzil na mãoApontado no rosto de uma mãeQue quer saberOnde deita eternamente em berço esplêndido Seu corpo sem vida banhado em sangue. 25 famílias com um membro a menosPreciso citar que a maioria era negra?Acho que já se sabeNão há mais como fechar os olhosFingir que não vê o plano
Vocês aguentariam?
Por Antonio Rodríguez* Os preto é foda!E vocês amam os pretosAmam nossa culturaE nem escondem issoTá em todo cantoTudo que vocês roubaram. É o sonho de vocêsTer essa cor que fascinaA beleza da melaninaA pele que o sol iluminaA grandiosidade da Terra divina.
Primeiros passos
Por Antonio Rodriguez* Completamos 521 anos ontemNão sei se comemoramosNão existem motivos sincerosNada real para ser comemorado.Mas vocês ainda são brancos. Se vocês não podem comemorarEu sequer consigo existirSobreviver diariamenteSem temer a minha morteE isso não tem a ver com pandemias. Genocídio já não é uma pandemiaNem uma epidemiaSequer o apocalipseÉ a nossa rotina. Ver
Esperança
Por Antonio Rodríguez* “Quando Pandora abriu a caixaTodos os males voaram para longeAntes que ela sequer reagisseQuando por fim fechou a caixa,Restara apenas umA Esperança”
Respeitem meus cabelos, Brancos!
Por Antonio Rodríguez* Nossos cabelos são coroasNascidas de nosso sangue realQue corre nas veias da ÁfricaQue são as nossas veias. É fácil falar issoEncarar nossos crespos no espelhoAmar-se e amá-losDedicar a atravessar o garfo entre os fiosE ver o poder crescendoJunto com o volume que nos encanta.
Página em Branco
Por Antonio Rodríguez* O exercício semanalDe encarar uma folha em brancoE saber que algo se esconde sob elaComo se fosse escrito com limãoE eu a luz destinado a desvelá-la.
Direitos roubados
Por Antonio Rodríguez* Admirar o céuApreciar um bom caféO prazer gustativo de uma boa comidaDançar livrementeAo som de uma boa música.
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