Encare o Infinitamente Finito
Encare o céu
Respire
Sorva o ar (nem tão) puro
Deixe a lágrima rolar
Agora você está sozinho
Por um instante
Não pela eternidade.
Com calma
Esvazie a alma
Limpe a mente
Deixe tudo fluir
Cada átomo em seu lugar
E você sentindo tudo.
O ápice da exasperação
Lágrimas não rolam mais
Mas você as sente caindo
Sua voz não sai, sua garganta tá seca
Mas seu grito é ouvido
Atravessa o céu
É quase tangível o desespero.
O negro da noite me abraça
Minha pele se confunde com a atmosfera
E no vazio do universo
O quão insignificante é essa esfera
Que eu chamo de casa
E o quanto eu não viveria
Sem cada uma das pessoas que eu amo dentro dela.
Somos um
Universo e eu
Noite e sentimentos
Lágrimas e oxigênio que me cercam
E se eu não existisse?
Abandonasse tudo e a vida me abandonasse?
Será que doeria?
Será que restaria eu para saber como foi?
No fim do dia
Eu só tenho medo e assim
Apoio meus doloridos joelhos no chão
Junto minhas mãos em oração
A quem quer que me escute
Chame pelo nome que quiser
E rezo por aqueles que aqui estão.
Eu rezo,
Imploro pela sua vida
Troco a minha por ela
Mas não achei um comprador de almas
Então o que eu faço meu deus?
Continuo a rezar
Continuo a orar
Continuo a implorar
Para você nunca me deixar.
Eu encarei a morte nos olhos e implorei
Seja porque ela tem um coração
Ela me ouviu
Quantas vezes ainda me ouvirá?
Encarar a morte e rir na cara dela, é possível? Como uma expressão banal eu sempre achei que sim, afinal, é a morte, o que um mero mortal pode fazer se não a deixar agir livremente?
Mas quando a morte te visita, se deita em sua cama e por mais bela que ela seja, gela todos os seus ossos e te impede de agir, você encontra seu verdadeiro eu. Aquela mesma criança desprotegida e implorando por colo enquanto se vê perdida em uma multidão indecifrável. Todos os rostos encaram sua alma e riem de seus fúteis desejos. Nem todo o desejo poético de descrever essa sensação em melhores palavras me levaria a desejar viver isso novamente.
*Antonio Rodríguez, 18, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me
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