Não aguentamos mais falar sobre Bolsonaro
Nós não aguentamos mais falar sobre Bolsonaro! Todo dia é a mesma coisa, uma eterna dança entre o fascismo e o entreguismo barato que dá o tom do Mercado; entre guinadas agressivas ao golpismo e o retorno ao fiel empregado dos neoliberais; entre a inflamação do ódio e a neutralização dos raposos mais velhos do Centrão.
Até o ex-presidente, Vampirão dos golpes mais modernos, foi acionado para pôr panos quentes na crise gerada pelas frases criminosas de Bolsonaro neste último sete de setembro.
Nós não aguentamos mais falar de Bolsonaro, pois não importa o quanto avisemos, o Poder Econômico sempre maneja uma saída “republicana” para a crise. Acreditam, os senhores que controlam as estruturas do País, que conseguirão manter Bolsonaro na linha, assim como os burgueses alemães imaginaram nos anos 1930 que fariam com Hitler. Sabemos o final dessa história.
O sete de setembro, até o momento, foi o encontro mais caloroso entre a inflamação popular e o engendramento tático de um golpe. Se não fossem algumas Instituições, como o STF, e o movimento popular iniciado lá em Março, provavelmente teríamos assistido a mais uma derrocada da Democracia brasileira, ou pelo menos à uma tentativa violenta.
O sete de setembro seria o vento que anunciaria a tempestade. Pessoas viajaram de todo o País para se colocarem nas principais capitais a serviço de seu capital, o Líder. Esperavam apenas o apoio central das polícias, que havia sido prometido, e as específicas ordens. Foi o que faltou para invadirem e violentarem e, assim, abrirem caminho para o caos militar.
Mas no final, o comboio do “gado” alienado comemorou um falso anúncio de estado de sítio, algo ironicamente reconfortante. Os Fordistas da Fake News, caindo em uma.
Mas isso tudo já foi avisado. E isso tudo já aconteceu. A diferença foi apenas a proporção que, agora, foi maior. Mas Bolsonaro já havia jogado com a Democracia. E mais uma vez estamos aqui falando tudo isso.
Mesmo não aguentando mais falar de Bolsonaro, seguimos aqui, analisando o modus operandi do Chefe de Estado brasileiro. E mais uma vez estamos aqui avisando que, enquanto comentamos sobre a sanha punitivista de Bolsonaro e bolsonaristas, as cadelas do neoliberalismo e da burguesia seguem conspirando para o entreguismo e para o extermínio sistemático de direitos, dos mais basilares. Seguimos aqui, tentando ressaltar que os Direitos Humanos estão sendo, igualmente, sistematicamente violados; que populações inteiras estão sendo mortas e que o capital tem encontrado, cada dia mais, terreno fértil para si.
Quem dera pudéssemos, ao invés disso, falar sobre Lula, sobre os erros do PT, seus acertos, se estamos preparados para um candidato mais à esquerda, ou se Ciro está se aliando à Direita. Quem dera pudéssemos voltar a discutir assuntos progressistas, mesmo que sob o viés do Conservadorismo. Quem dera pudéssemos discutir sem medo do futuro.
O sete de setembro veio, como a chuva que precede o frio, o anúncio do golpe. Mas, no fim, foi brisa leve, sem uma gota caindo do céu. Não teve golpe. Continuamos aqui. Mas a pergunta que fica é: até quando?
E se nossas poucas Instituições atuantes, como o STF, não resistirem? E se os movimentos populares perderem força? Ou forem sequestrados pelo discurso permissivo da Direita bolsonarista gourmet – como essa manifestação de ontem, 12/09, com o ilusório discurso da “terceira via”, que na verdade é a mesma via que elegeu Bolsonaro e sua horda, envergonhada dos delírios de um líder estulto, mas que não hesitaria em reconduzi-lo ao Planalto para “livrar o Brasil do perigo da esquerda e do PT”.
Não aguentamos mais falar sobre Bolsonaro, pois sabemos que cada vez que ele joga o jogo da burguesia, mais ele se aproxima de, na próxima vez, conseguir o que quer de verdade. E se na próxima ventania, a tempestade cair?
Não aguentamos mais. Chega de Bolsonaro.
*Paula Vicente e Rafael Colli são advogados especializados em causas de Direitos Humanos, minorias políticas e Direito Penal em Londrina
You may also like
Relacionado
No comments
Arquivos
- julho 2026
- junho 2026
- novembro 2025
- outubro 2025
- setembro 2025
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
Calendar
| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
| 31 | ||||||

Deixe um comentário