Noutras expressões e aforismos
Por Carlos Monteiro*
Como resultou graça, minha malta-fã porreira, bué de fixe de onze utentes, pediu-me para avançar. Disseram-me:
— Acho-te uma graça…!
Dou arremates à brincadeira como na cantiga “Bailinho da Madeira”, cuja uma das estrofes canta assim: “…Deixem passar esta linda brincadeira/Qu’a gente vamos bailar/Pr’á gentinha da madeira…”, interpretada pela fadista Amália Rodrigues e tantos outros. Desta feita, andaremos cá com expressões e aforismos genuinamente lusos.
No ginásio – Vejo por lá, uns gajos da malta que são uns ‘baitas abiscoitados’, há que se ter cuidado com eles, parecem ‘ter pancada na mola’, não há outra explicação: são xexés. Acham que resulta ficar na passadeira por horas e, em pouco tempo, serão um ‘grande capado’ e ‘ficarão na ráfia’. Às vezes se exercitam tanto que ‘já não estão a aguentar-se nas canetas’, ‘não se têm em pé’, ‘não se têm nas pernas’. Ficam tanto tempo no aparelho até quase ‘dar o peido mestre’, ‘esticando o pernil’. Parvos, parecem que ‘não valem um pentelho da velha’ ou têm ‘macaquinhos na caixola’. São ‘sem Camões’ ou ‘golpes de rim’. Comem lira de tal maneira que, às vezes, dão uma ‘baita bombarda’ no meio do clube, acreditem; ‘têm lata’ para isso. Andam ‘cheios de pica’ sempre. As ‘borbulhas de pele’ estão a indicar que ali há mais que vitaminas. É ‘muita parra e pouca uva’. Os betinhos e as betinhas, ‘pito que nunca viu brume’, andam por todo lado, vivem ‘à grande e à francesa’. Naquele sítio, uns ‘apanham uma molha’ de tanto exercício, afinal ‘o rabo é pior de esfolar’ e acabam por ‘não poder com uma gata pelo rabo’, ficam ‘a andar a balões de soro’. Outros apanham uma ‘chuva molha-parvos’, quase uma ‘passada pelas brasas’. Ficam ‘papa-açorda’ e na sorna a pavonear e a armar. Acham que os exercícios são meter uma lança em África, estão alhures para um bom piropo.
Na firma – Quando se está a ‘abraçar o jacaré’, se ‘vendo grego’, se está ‘abotoado com a coisa’ e ‘a coisa está a tornar-se feia’, a saída é ‘desatar os atacadores’ e ‘descalçar a bota’, com bastante cuidado para ‘acertar na muche’ e ‘no olho do mosquito’, ‘aguentando nos cavalos’, mesmo quando ‘ainda a procissão vai no adro’. Porque, muita das vezes, isso ‘não é fumo da minha chaminé’, mas nem por isso ‘não é por aí que o gato vai às filhós’, apesar de ‘não estar para aí virado’ ou ‘estar pelos ajustes’ e o gajo ‘não fazer um chavelho’, nem ‘ir lá com duas cantigas’, tampouco ‘lembrar ao careca’ ou ‘lembrar a ninguém’, estando muito azelha, concordo, mesmo que tenham tirados as ideias ‘do cu com um gancho’. Só espero que mais tarde não chorem ‘baba e ranho’. Torço para que não seja ‘um 31’. Acolá, todos parecem ‘às tintas’. Ainda acho que ‘aqui há morasca’ e ‘cheira a esturro’, depois não me venham ‘a cantar um fadinho’, não adiantará ‘virar o disco e tocar o mesmo’. ‘Lobo velho não cai em armadilha’, mas parece quererem ‘enfiar o barrete’, se for à vera, alguém ‘irá para o catre a pildra’. ‘Tenho um Cunha’ naquela morada.

Na morada com muitas soalhadas – A Catarina é muito ‘mão de aranha’, parece o guarda-redes do Benfica, me partiu a loiça toda; ainda bem que era ‘do pioril’ imagine se fosse “Cia das Índias”? Tivemos que deitar fora os cacos e guardar os esburbicados. Bravo bradei: ‘anda-te daqui’, ‘vai dar a volta ao bilhar grande’, ‘desampara-me a loja’, ‘desenmerda-te’, ‘estás feito ao bife’, ‘vá chatear Camões’, ‘vá comer palha’. Naquela altura, ‘dei para o torto’ tal apoquentado fiquei. Ela ‘ficou nos azeites’, na verdade, tudo ‘deu em águas de bacalhau’. Não entendi o facto afinal, ‘ela tem anos a virar frangos’. ‘Estou no corrente’ que ela ‘está no deserto’ por pedir-me imensas desculpas, só espera que passe a chiça. Não vamos nos ‘meter às zaragatas’ isso não ‘vale a ponta de um corno’. Temo que ‘me corte na casaca’ de ‘lés a lés’. Não vamos ‘viver às brulhas’ que isso acaba em ‘pescadinha de rabo na boca’.
Cá me bate um sono, pois ‘meti prego a fundo’ hoje, e ‘antes que me passem os carretos’, vou ‘ao val dos lençóis’ se não ‘acordo com os pés para fora da cama’. ‘Se tens um problema na sílaba tônica’, ‘arreganhe a tacha’, se levaste ‘uma tampa’, ‘alto lá’; ‘vá laurear a pevide’ e ‘tirar nabos da bucara’, ‘vá vergar a mola’, pois só ocorre ‘quando o rei faz anos’.
‘Não me venhas com fitas’ ‘do pé para a mão’!
*Carlos Monteiro, 62, é cronista, jornalista, fotógrafo e publicitário carioca. Flamenguista e portolense roxo, mas, acima de tudo, um apaixonado pela Cidade Maravilhosa.
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