Local de concentração dos manifestantes mudou para o estacionamento do Zerão (onde acontece a Feira da Lua)

Nelson Bortolin

Familiares de pessoas mortas durante ações policiais em Londrina realizam uma manifestação nesta quarta-feira (2 de novembro), Dia de Finados. O ato é organizado pelo Movimento “Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta”. O local da concentração dos manifestantes mudou da Concha Acústica (centro) para o estacionamento do Zerão (onde acontece a Feira da Lua). Será às 9 horas.  Às 10 horas, os familiares farão um ato silencioso em frente ao Cemitério São Pedro, na Avenida JK.

Londrina, Cambé e Ibiporã respondem juntas pela maior taxa de letalidade policial do Paraná nos últimos cinco anos. Dados do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, mostram que, nas três cidades, as forças de segurança (Polícia Militar, Polícia Civil e guardas municipais) foram responsáveis por 230 mortes entre 2017 e 2021. São 13,4% do total de 1.706 casos no Estado neste período.

Não é só o Gaeco que comprova a violência das forças de segurança em Londrina. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021 – elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública – mostra que, em 2020, a cidade teve o 12º maior número de mortes em decorrência de intervenções policiais em TODO O PAÍS. Foram 57 naquele ano.

A justificativa para as mortes dadas pela polícia é sempre a mesma: mataram para se defender durante supostos confrontos. Mas os familiares alegam que há muito mistério cercando a maioria dos casos. Segundo eles, as investigações, quando realizadas, são marcadas pela falta de transparência e os parentes dos mortos sequer conseguem ter acesso aos inquéritos.

Há indícios de adulteração das cenas das ocorrências. As famílias alegam que armas são “plantadas” junto aos corpos para justificar as mortes.

O movimento reivindica que os casos sejam apurados por meio de uma força-tarefa e os responsáveis sejam punidos. Também querem que os policiais passem a usar câmeras em seus uniformes e nas viaturas para gravar as operações. E ainda que esses profissionais sejam submetidos a exames toxicológicos periodicamente.

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