Veterano ficou um ano e meio afastado do esporte e ‘reestreia’ no 1º Open Internacional Pan-Americano de Parabadminton
Aos 64 anos, o paulista de Iepê João Carlos Lemos voltou a sentir nesta segunda-feira (20) a emoção de uma competição oficial. Coube ao experiente atleta fazer o juramento dos competidores na cerimônia de abertura do 1º Open Internacional Pan-Americano de Parabadminton, no Ginásio Moringão, em Londrina. O momento marcou o início de um retorno muito aguardado às quadras.
Nesta terça-feira (21), às 11 horas, ele estreia na competição diante de Pedro Lucas Mendes Alves, de apenas 23 anos, de Presidente Prudente (SP), campeão brasileiro sub-23 no ano passado. Será o primeiro jogo oficial de Lemos desde que precisou interromper a carreira para tratar uma grave úlcera de pressão.

No início de 2025, quando estava com viagens programadas para disputar torneios internacionais no Egito e na Espanha, uma escara infeccionou. O problema o deixou cerca de 90 dias internado e provocou uma reação em cadeia: perdeu posições no ranking internacional, bolsas e patrocinadores.
Sem conseguir dar continuidade ao tratamento em São Paulo após mudanças na rede credenciada do plano de saúde, decidiu voltar para a cidade onde viveu dos 10 anos de idade até aproximadamente os 40. Em Londrina, ele encontrou condições para concluir a recuperação. “Já estou quase de alta. Agora estou tratando os ombros e já voltei aos treinamentos.”
Agora Lemos pretende defender o Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) , sob o comando do professor Edmundo Novais. O objetivo é conquistar novos patrocinadores e voltar ao circuito internacional. Entre as metas está disputar o Campeonato Sul-Americano, previsto para o fim deste ano, no Peru.
Do futebol à lesão medular
A história de João Carlos Lemos com o esporte começou muito antes do paradesporto. Ainda adolescente, era jogador de futebol e estava prestes a assinar contrato com o XV de Piracicaba quando exames revelaram dois tumores benignos na coluna. A cirurgia, realizada quando tinha 18 anos, mudou completamente sua vida. “Tive uma lesão medular torácica. Antes mesmo de tirar os pontos veio uma meningite infecciosa. Fiquei em coma e passei quase 100 dias acamado”, relembra.
Apesar das sequelas, ele nunca cogitou abandonar o esporte. “Nunca pensei em parar. Desde moleque o esporte está na minha vida.”
Uma vida dedicada ao paradesporto
Sua trajetória no esporte paralímpico começou pela natação. Depois vieram o atletismo e o remo, modalidade pela qual competiu em países de todos os continentes. Também foi um dos primeiros atletas beneficiados pelo programa Bolsa Atleta, criado pelo governo federal.
Foi justamente na natação que nasceu uma parceria que atravessa mais de duas décadas. Contratado para defender Osasco nos Jogos Regionais e nos Jogos Abertos do Estado de São Paulo, Lemos rapidamente se transformou em um dos principais medalhistas da equipe. Além da natação, competia também nas provas de lançamento de dardo, disco e arremesso de peso. “Eu devo ter umas 120 medalhas por Osasco. Teve anos em que eu ganhava três ouros na natação e mais três no atletismo. Era uma sequência de medalhas nos Jogos Regionais e depois nos Jogos Abertos.”
Segundo ele, os Jogos Abertos paulistas estão entre as maiores competições multiesportivas do mundo em número de atletas e modalidades, reunindo os melhores classificados das oito regiões do Estado.
Ao longo dos anos, também representou Osasco no remo e, mais tarde, no parabadminton. Essa longa parceria explica por que, durante o período em que perdeu patrocinadores, bolsas e posições no ranking, o clube foi o único a manter seu contrato. “Osasco continuou comigo durante todo esse período.”
O encontro com o parabadminton
Em 2018, uma recomendação médica mudou novamente sua carreira. Após desenvolver uma seringomielia — complicação que pode surgir em pessoas com lesão medular —, precisou abandonar o remo, que exigia grande esforço físico.
Foi então que conheceu o parabadminton.
Durante um treino no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, viu uma quadra montada e resolveu entrar para conhecer a modalidade. “O que me chamou muita atenção foi que era um jogo. Aquilo me remetia ao futebol. Apesar de o badminton ser disputado individualmente ou em dupla, existe uma interação que eu não encontrava em esportes como a natação ou o remo, que são muito solitários. Foi isso que me atraiu demais.”
A adaptação foi imediata. Poucos meses depois de iniciar os treinamentos, já disputava sua primeira competição internacional. “Comecei a jogar em março ou abril de 2018 e, no fim do ano, já fui para o Sul-Americano. Investi o dinheiro da Bolsa Atleta para comprar o uniforme da Seleção Brasileira. Foi inacreditável. Mesmo com pouco tempo de badminton, conquistei a medalha de bronze.”
O resultado abriu novas portas. A medalha lhe garantiu uma bolsa internacional, ele terminou a temporada como o segundo melhor atleta do Estado de São Paulo no ranking da modalidade e iniciou uma sequência de resultados expressivos. Em 2019, conquistou três medalhas de bronze nas três categorias que disputou no torneio internacional de Guayaquil, no Equador.
Hoje, Lemos acredita ser um dos atletas mais velhos do mundo em atividade na categoria wheelchair do parabadminton.
O EVENTO
O 1º Open Internacional Pan-Americano de Parabadminton é promovido pelo Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), com apoio da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd), da Federação Paranaense de Badminton (BFP) e da Fundação de Esportes de Londrina (FEL). Tendo a Itaipu Binacional como patrocinadora master, a competição será realizada no Ginásio Moringão, em Londrina, entre os dias 20 e 23 de julho.

