Com medalha de ouro no 1º Open Internacional Pan-Americano de Parabadminton, maringaense fala sobre a importância do esporte em sua vida

Nelson Bortolin

Foto: Otávio Barbosa

O maringaense Jeferson de Freitas Mardegan, de 21 anos, encerrou o 1º Open Internacional Pan-Americano de Parabadminton com um motivo especial para comemorar. Representando a Associação Maringaense de Badminton Parabadminton (AMBP), ele conquistou a medalha de ouro em sua categoria na tarde desta quinta-feira (23), durante o encerramento da competição realizada no Ginásio Moringão, em Londrina.

A decisão foi uma das mais equilibradas do campeonato. Jeferson enfrentou o atleta do ILECE Carlos Eduardo Alves da Silva em uma final bastante disputada, garantindo o título.

O ouro no Open dá sequência a uma fase positiva na carreira do atleta. Recentemente, ele conquistou o Campeonato Paranaense de Parabadminton, com medalha de ouro na disputa de simples e prata nas duplas.

Embora pratique badminton há mais tempo, Jeferson só recentemente passou a competir oficialmente no parabadminton. “Eu comecei recentemente na categoria do parabadminton. Antes eu treinava no badminton convencional. Agora minha documentação foi aceita pela CBDI (Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais) e represento Maringá e o Paraná no parabadminton”, contou.

Diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e esquizofrenia paranoide, o atleta afirma que o esporte teve papel decisivo em sua recuperação emocional. “O badminton, para mim, é mais do que um esporte. Não é só saúde, mas também uma coisa que me acolheu bastante. Passei por um momento muito difícil quando meu pai faleceu, em 2021, e fiquei um tempo em depressão. O badminton me ajudou a me recompor como pessoa, como atleta e também como ser humano”, relatou.

Jeferson também falou sobre a convivência com a esquizofrenia. Segundo ele, hoje a doença está controlada graças ao tratamento contínuo. “Eu tomo medicação controlada diariamente. Antigamente a esquizofrenia era muito aguçada. Eu tinha alucinações, acordava de madrugada gritando e cheguei a ter um surto. Fiquei um mês internado em uma clínica de ressocialização. Depois disso comecei o tratamento e hoje está bem mais tranquilo para mim”, disse.

Antes de conhecer o badminton, ele praticou basquete, futsal e capoeira. O primeiro contato com a modalidade aconteceu por acaso, quando procurava aulas de ginástica artística na Universidade Estadual de Maringá (UEM). “Não encontrei a modalidade que procurava e conheci o badminton através do projeto do professor Gabriel. Hoje ele é não só um grande professor, mas também um grande atleta. Ele treina mais de 200 atletas maringaenses. Gostaria de agradecer a ele, porque foi quem me fez chegar até aqui.”