Arte na Rua, intercâmbio cultural e o direito à cidade: movimento hip-hop amplia sua voz e participação
Rapper Dinho do Guetto fala sobre a potência do RAP e sua ligação com Londrina
Lua Gomes, especial para a Lume
Foto em destaque: Dinho no estúdio da rádio 105 fm, tradicional para o movimento hip-hop em SP/Arquivo pessoal
Quando começou a proposta era pra contar sobre a vinda de um representante do movimento hip-hop de SP, mais precisamente de Itapevi, cidade da grande São Paulo localizada na Zona Oeste, que veio produzir seu novo álbum em terras londrinenses. Mas o teor do papo foi rico o suficiente para despertar a necessidade de pensar mais profundo e gerou uma série de reportagens. Vamos pensar junto com nossos entrevistados e entrevistadas a importância da arte de rua e do movimento hip-hop em si como potência cultural e econômica na cidade de Londrina.
Em várias conversas vamos abordar diversas perspectivas e histórias. Contudo, vamos começar do começo. No dia 17 de fevereiro a Batalha da UDV recebeu a visita de um rapper paulista que está na cena e já dividiu palco e histórias com nada menos que a lenda e rainha do hip-hop nacional Dina Di: Dinho do Ghetto, que conheceu a lenda justamente vindo se apresentar num evento na cidade de Londrina em 2007.
“Meu primeiro contato com o hip-hop foi aos 13 anos por influência de uma prima que gostava de ouvir Pepeu e Ndee Naldinho”, conta.
Com essa veia musical desde cedo, tendo se apresentado em um evento público a primeira vez aos 9 anos, cantando Raul Seixas, iniciou sua trajetória de composição já na adolescência e participou de bandas em outros gêneros. Mas no ano de 2006 começou de forma independente a gravar seu primeiro álbum solo – e independente – lançado em 2007, com composições de mensagens que transmitem suas vivências.
Com versatilidade demonstra ser sensível e muito atravessado pela importância de sua mãe e valores que a própria vida teve que lhe dar por si.
“A minha mãe era muito trabalhadora e muitas coisas que eu teria aprendido com ela num convívio mais frequente demorei a entender na vida, fui aprendendo na prática e me senti demorando a amadurecer. Em minha jornada, foi potente a amizade com o Chuck e a Dina, porque ela era muito à frente do tempo, visionária. Nos orientava sobre carreira e sobre a vida. Foi uma espécie de mãe na arte, uma mentora.”
Mesmo SP sendo historicamente a maior potência do RAP brasileiro, Londrina é, sem dúvidas, um celeiro de muitos artistas e profissionais do campo cultural. E foi com essa percepção que Dinho resolveu produzir junto a um dos melhores produtores da cena atual seu novo álbum, que será lançado em breve. Sua amizade com Dj Samu vai além da produção desse álbum.
“Sempre que posso estou com ele. É uma enciclopédia do RAP, profissional muito avançado, dos melhores produtores do país. Me orienta, ensina sobre novas possibilidades e impressiona pela genialidade. Num papo informal de 5 minutos ele produz quase que naturalmente. Me apresentou o Drill e quem conhecer esse projeto novo vai perceber que estamos com muito som incrível. Através de letras conscientes e melodias atrativas, vou contar um pouco da minha história de superação de uma fase de depressão”.
Comenta ainda que o RAP foi arma para se livrar da depressão, assim como as mensagens constroem na vida de outras pessoas. “Em minha pior fase de reclusão social pela depressão, recebia mensagens de pessoas que nem conhecia, locutores de rádio e artistas do próprio movimento falando em especial de um som do meu primeiro álbum que gravei junto do Pregador Luo Chamado ‘Acredite em você’, que ainda é muito pedida por ouvintes na rádio mais tradicional paulista pra cultura cultura hip-hop. Saber que essa música fortalece outras pessoas, também me deu forças pra continuar”.
Para Dinho, o hip-hop é instrumento de transformação e mudança “o RAP é instrumento de informar, tem envolvimento com ações sociais e lutas em defesa dos mais oprimidos. Falando a linguagem da juventude, desperta interesse e reflexões na vida social e na trajetória de formação educacional”, pondera.
O álbum Olam Haba (Mundo Vindouro) está com lançamento previsto para março e conta com a participação de Jotta S., Função RHK, Lauren Priscila e o londrinense Pateta Código 43.
Leia também: Batalhas de rima são alvo constante de repressão policial
Afeto por Londrina
Londrina ocupa um lugar de destaque nos afetos e histórias de The Ghetto, que construiu amizades das quais fala com carinho, como destacou em sua visita na Batalha da UDV, quebrada de origem de Melk, artista reconhecido da cidade que faleceu em 2021 e deixa seu legado como inspiração para muitos. Num papo descontraído com o público da batalha – a convite do Dj Damião Milianos, também paulista, contudo uma personalidade muito respeitada na cena londrinense, aconselhou os MC’s e o público a manterem o foco, acreditar nos sonhos e na importância de ser resiliente. Mensagens estas que estão latentes na cultura de rua que se fortalece dia-a-dia nas batalhas de rima no circuito da cidade, que já somam 13.
Se você quiser conhecer mais do trabalho do Dinho The Ghetto, pode encontrá-lo através das plataformas de streaming, no Instagram @dinhodoghetto.
Sugestão de letra pesada aos leitores: Deuteronômio 28, faixa do álbum “Me resgata de novo”, lançado em 2021 – já é meu som favorito do artista. Em nosso próximo encontro vamos conhecer mais um personagem importante da cultura hip-hop. Até lá!
You may also like
Relacionado
4 comments
Deixe um comentário Cancelar resposta
Arquivos
- julho 2026
- junho 2026
- novembro 2025
- outubro 2025
- setembro 2025
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
Calendar
| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
| 31 | ||||||

Estou muito feliz com matéria que Lua Gomes, especial para a Lume fizeram, deixo aqui o meu respeito e gratidão a todos vocês. Também quero agradecer toda a galera das batalhas de rima em especial a da (UDV) que me recebeu com respeito e carinho e todos os Londrinense (PR) que valorizam essa cultura maravilhosa que é o Hip -Hop a vocês meu máximo respeito!
Lua muito obrigado guerreira de todo o meu coração, também agradeço ao meu amigo Damião Mili anos!
Valeu, Dinho!
✊🏿🌻✊🏾
Londrina é solo fértil❤️.
Que linda essa entrevista, uma referência da cena hip-hop sendo entrevista por essa carioca já Londrinense que é uma super referência na cidade e respeitada em todas as quebradas.
Lume já quero não só uma série de reportagens mas um podcast da Lua.
Parabéns aos envolvidos, parabéns Dinho volte sempre (eu perdi a batalha nesse dia que pena!), espero que venha mais!
Parabéns DJ SAMU, Pateta código 43, galera da UDV.
✊🏿🌻✊🏾
Melk presente hoje e sempre!
Liberdade vai cantar Mano Fler, o palco é seu lugar.
Dina Di❤️ eterna rainha
E pra encerrar um salvão pra juventude que tá fazendo a cena do hip-hop de Londrina estourar no âmbito nacional e um salvão pro Damião e todos aqueles que vieram antes.