Lesfem e Néias recordam os 10 anos da Lei do Feminicídio, destacando avanços na legislação e a urgência do enfrentamento à violência de gênero

Da Redação

No dia 9 de março de 2025, a Lei nº 13.104, conhecida como Lei do Feminicídio, completa dez anos. Para marcar a data e reforçar a importância da aplicação dessa legislação, Lesfem – Laboratório de Estudos de Feminicídios e Néias – Observatório de Feminicídios de Londrina lançam uma campanha conjunta com o slogan “10 anos da Lei do Feminicídio: junte-se à luta pela vida das mulheres”.

O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a importância de uma lei específica que tipifica o feminicídio, um crime de ódio contra meninas e mulheres, e garantir sua efetiva aplicação.

A Lei nº 13.104, sancionada em 2015, no bojo das lutas cultivadas no Dia Internacional da Mulher – 8 de março, tornou o feminicídio um crime hediondo, qualificando o assassinato de mulheres por questões de gênero como um homicídio agravado. A lei estabelece que o feminicídio ocorre quando o assassinato acontece em contexto de violência doméstica e familiar ou quando há menosprezo e discriminação à condição de mulher da vítima.

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Em 2024, a promulgação da Lei nº 14.994, que transformou o feminicídio em crime autônomo, representou mais um avanço na luta contra a violência de gênero. A nova legislação estabelece penas de 20 a 40 anos de detenção, a maior prevista pelo Código Penal brasileiro, e determina outras medidas de proteção às mulheres, como o aumento das penas para crimes como lesão corporal, ameaça, calúnia e injúria cometidos em contexto de violência doméstica.

A nova lei prevê, ainda, um aumento da pena em casos específicos, como quando o feminicídio é cometido durante a gestação, contra mulheres com deficiência, menores de 14 anos ou maiores de 60 anos. A legislação também atualizou a Lei Maria da Penha, aumentando penalizações para descumprimento de medidas protetivas.

Publicação no perfil de Néias. Veja completa aqui

O tamanho do problema

A importância dessas medidas é indiscutível, especialmente quando se observam os números alarmantes da violência contra as mulheres. Segundo dados da ONU, a cada dez minutos, uma mulher ou menina é assassinada em função de gênero em todo o mundo. No Brasil, o Lesfem mostra que, em 2023, pelo menos 1.706 mulheres e meninas foram mortas em decorrência de sua condição de gênero. O número de feminicídios consumados aumentou em 2024, com pelo menos 1.859 casos registrados, o maior desde a criação da Lei do Feminicídio. No Paraná, foram 144 casos de feminicídios consumados em 2024, sendo 5 em Londrina.

A socióloga Silvana Mariano, coordenadora do Lesfem e porta-voz de Néias, destaca que a violência de gênero é estruturante e acontece em todos os espaços onde mulheres estão presentes. O ambiente doméstico e familiar, tradicionalmente hierarquizado por gênero e idade, é o principal cenário da violência feminicida. No entanto, o feminicídio também ocorre em espaços públicos como trabalho, educação e lazer.

Os agressores geralmente são companheiros, ex-companheiros ou familiares, mas o crime também pode ser cometido por vizinhos, colegas de trabalho, amigos ou até desconhecidos. A violência é caracterizada por formas específicas de matar, refletindo o ódio e o menosprezo ao feminino.

Veja postagem no perfil de Lesfem: https://www.instagram.com/p/DG6Mvl8psPW/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

Neste contexto, a Lei nº 13.104/2015 torna-se ainda mais fundamenal, pois reconhece a violência contra as mulheres como um problema estrutural, ligado ao machismo e à desigualdade de gênero. Ao tornar o feminicídio um crime hediondo, a legislação estabelece penas mais severas e combate a impunidade, ao mesmo tempo em que fortalece a conscientização da sociedade sobre a gravidade desse tipo de crime.

Com a campanha, Néias e Lesfem pretendem reforçar que a luta contra o feminicídio e a violência de gênero é uma responsabilidade coletiva, da sociedade e do Estado. A divulgação de informações sobre o tema tem o objetivo de oferecer subsídios para que mais pessoas possam se engajar na luta pelo fim da violência de gênero, pois as mortes por feminicídios são evitáveis.

Neste domingo, o Ministério das Mulheres também destacou o aniversário da lei em publicação nas redes sociais:

Como denunciar

Para denunciar casos de mulheres em situação de violência, a orientação é ligar  para a Central de Atendimento à Mulher (180) para:

  • Orientações sobre leis e direitos das mulheres;
  • Indicações de serviços especializados (Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher, Defensorias Públicas, entre outros);
  • Registro e encaminhamento de denúncias aos órgãos competentes;

Em situações de urgência e emergência, quando uma agressão estiver acontecendo, a orientação é ligar para o 190, número de emergência da polícia.

2 respostas para “Campanha avalia impacto dos 10 anos da Lei do Feminicídio”

  1. Avatar de Adriana Marcolino Cordeiro Camilo
    Adriana Marcolino Cordeiro Camilo

    Ser mulher,gueira que luta por um dia melhor, sem violência poder fazer o que deseja, não vamos abaixar a cabeça, vamos ter voz.

    1. Estamos juntas nessa luta, Adriana!

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