Casa de Candomblé em Londrina é atacada com artefato incendiário
Coquetel molotov só não pegou fogo porque foi arremessado do telhado pelo vento; atentado ocorreu na região central de Londrina
Cecília França
Atualizada em 29/10 às 8h50
Imagem: Mãe Claúdia e o artefato/Divulgação
Duas mães de santo foram surpreendidas, no início da tarde desta quinta (27), enquanto almoçavam em casa, na região central de Londrina, onde funciona um terreiro de Candomblé. Uma delas, Mãe Cláudia, conta à Lume que ela e a sócia ouviram um barulho e, quando foram verificar, depararam-se com uma lata que havia sido arremessada no telhado. Era um artefato incendiário conhecido como coquetel molotov.
“O vento impediu que pegasse fogo. Se estivesse calor sem vento, teria incendiado tudo”, relata Mãe Cláudia, ainda muito abalada. A polícia foi acionada e elas registraram Boletim de Ocorrência contra um vizinho que já tem histórico de ofensas e agressões verbais contra elas.
“Em agosto registramos BO contra ele por intolerância, agressões verbais, falas racistas e preconceituosas”, conta Mãe Cláudia. Hoje, o homem negou envolvimento com o atentado e os policiais alegaram que não poderiam fazer mais que o registro da ocorrência, uma vez que não houve flagrante. As mulheres foram orientadas a procurar a Delegacia da Mulher para dar andamento na denúncia.
Embora compreenda as limitações, Mãe Claúdia questiona qual o limite da violência para gerar consequências ao agressor. “Disseram que no terceiro BO não teria conversa, ele seria levado. Se fosse o contrário seríamos agredidas e levadas para o camburão”, acredita.
“Abrimos o Quintal do Acarajé (na mesma casa) em 2016. Com a pandemia, perdemos tudo, ainda tentam queimar o pouco que a gente tem”, lamenta Mãe Cláudia.
A mãe de santo tem histórico de luta. Em 2015 ela reuniu frequentadores do terreiro e se acorrentou na Praça dos Três Poderes em protesto contra um ato racista sofrido.
“Dá a impressão que a sociedade quer que a gente revide, mas da nossa parte vão ver luta, protesto, manifesto. Nós merecemos respeito!”, finaliza.
A reportagem não conseguiu contato com o homem acusado do atentado.
Manifestação pede fim da intolerância
Uma manifestação na tarde desta sexta-feira (28) na Casa pediu o fim da intolerância religiosa e da violência contra negros e negras.
Confira aqui.
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O vento do orixá levou essa desgraça pra bem longe e deveria ter ido para a casa do agressor kkkkkk ordinário c você faz isso na minha casa ia ver o que faria com você seu desgraçado ordinário
A polícia se omite e vcs precisam deixar esse costume de se abaixar quando agredidos. Não entendo
Boa tarde eu sofro com essas intolerâncias e hrrivel mae clauda
Triste situação.. As pessoas se tornaram ridículas, pobre de coração, sem sentimentos se acham no direito de destruir uma casa santa….
Independente de religião o nosso Deus é um só e temos o direito de seguir a religião que quisermos independente de qual seja e o nosso próximo só deve respeitar e seguir a dele.
Lamento Profundamente o Ocorrido a Luta Continua Mãe Cláudia Breve nos Conhecemos.Sinta-se Abraçada do Ilê Axé Ilha Amarela Ekedy Zilda bjos