Coesp eleva de ‘moderado’ para ‘alto’ risco da pandemia em Londrina
Nova avaliação sugere medidas mais restritivas; Prefeitura tem desconsiderado orientações do órgão
Cecília França
Foto em destaque: Isaac Fontana
Em reunião na tarde de ontem (6) o Coesp (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública) elevou de “moderado” para “alto” o risco da pandemia de Covid-19 em Londrina. A mudança parte da análise dos dados dos últimos 14 dias e sugere novas medidas restritivas e de distanciamento. O relatório também não recomenda a abertura de praças de alimentação de shoppings centers e galerias, academias e templos religiosos, “em nenhum tipo de proposta/esquema alternativo”. As recomendações, no entanto, vêm sendo desconsideradas pela Prefeitura.
Conforme mostrou reportagem da Lume, ao liberar o funcionamento das praças de alimentação, em 20 de julho, a prefeitura já contrariava recomendação do Coesp. Na ocasião, o Secretário Municipal de Saúde, Felippe Machado, ressaltou que o grupo tem caráter apenas orientativo e que a administração decidiu “bancar a decisão”.
No relatório da semana passada, de 30 de julho, o Coesp também orientava o fechamento dos mesmos locais. Conforme apuramos, estas mesmas recomendações têm sido feitas desde 21 de maio, ainda assim, academias e igrejas estão funcionando desde o mês passado. Alguns templos religiosos optaram por manter o formato de culto online e os católicos retomam as missas presenciais apenas neste fim de semana, por opção da Arquidiocese. O fechamento das academias seguia decreto estadual que deixou de vigorar.
No último domingo, em live nas redes sociais, o prefeito Marcelo Belinati afirmou estar sendo finalizado protocolo para reabertura das academias nos condomínios e ainda dos parques e praças públicos, sem dar datas para a reabertura.
No relatório da reunião de ontem os integrantes do Coesp apontam que “o cenário epidemiológico atual não é confortável” e que medidas mais rígidas podem ser sugeridas na próxima semana “caso os indicadores permaneçam apontando nesta mesma direção”.
Nas últimas duas semanas Londrina contabilizou 952 novos casos de Covid-19 (22/07 a 05/08), uma média de 63 por dia. Na quinzena anterior (08/07 a 22/07) haviam sido 822 novos casos, registrando um aumento de 15,81%. Em relação a óbitos, foram registrados 19 na última quinzena, contra 16 na anterior (aumento de 18,75%).
Nesta semana, três agências bancárias foram fechadas na cidade em decorrência da confirmação de casos de Covid-19 entre funcionários. Sindicato da categoria atribui as ocorrências ao isolamento “frouxo”, conforme publicado pelo jornal Folha de Londrina. Há apenas duas semanas, a cidade enfrentou um surto intra-hospitalar no Hospital Evangélico que sobrecarregou a rede e levou à superlotação de leitos não-Covid no Hospital Universitário e na Santa Casa. A ocupação de leitos exclusivos para Covid-19 não tem passado muito dos 50%, entre enfermaria e UTIs.
Indicadores
Hoje pela manhã, durante coletiva para a entrega de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS), o prefeito Marcelo Belinati atribuiu a nova classificação dada pelo Coesp à metodologia utilizada pelo órgão. Ele acredita, no entanto, que os índices não irão se sustentar.
“Em Londrina, nos últimos dias, tivemos alguns surtos localizados em instituições de saúde e isso acaba mudando, eventualmente, os indicadores de saúde, mas eu creio que não sejam dados sustentáveis. Tanto que nessa semana os dados já acompanham de maneira diferente. Em Londrina hoje nós temos uma positividade de 20%, que é baixa”, afirma. “Temos hoje em Londrina 274 casos ativos. É pouco, dado o tamanho da cidade, são 600 mil habitantes. Para vocês terem uma ideia, Curitiba hoje, que é três vezes maior que Londrina, tem 5.200 casos ativos. São pessoas que estão transmitindo a doença. A nossa média de casos e de óbitos também é menor que a do Paraná”, acrescenta.
De acordo com o último Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), publicado ontem, a Macrorregião Norte, onde se encontra Londrina, teve aumento de 0,2% no número de casos registrados. A região vem numa crescente desde o início da pandemia.
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