Demanda reprimida por UTIs quadruplicou na pandemia, diz HU
Hospital tinha hoje 52 pacientes covid aguardando leitos de terapia intensiva
Cecília França
Os problemas da saúde pública no Brasil não foram inaugurados com a pandemia, mas se agravaram com ela. Uma prova disso é a demanda reprimida por Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), que sempre existiu, mas aumentou vertoginosamente. Apenas no Hospital Universitário (HU) de Londrina, a fila de espera quase quadruplicou nesse momento da pandemia.
“No HU-UEL sempre existiu uma fila de pacientes aguardando por um leito de UTI e, com o advento da pandemia, proporcionalmente, o tamanho da fila aumentou em aproximadamente quatro vezes”, declarou a direção do hospital em resposta a questionamento da Lume. Nesta terça, 52 pacientes covid aguardavam esse tipo de leito na unidade, enquanto a ocupação estava em 118%.
A direção do HU afirma que a escassez de leitos de UTI é uma realidade estadual e nacional, igualmente agravada com a pandemia. “Importante salientar que pacientes em demanda reprimida de UTI é uma realidade que não se restringe ao período da pandemia da COVID-19. O número de leitos de UTI disponíveis no Estado do Paraná, assim como no país, não é suficiente para toda a demanda de pacientes que necessitam de cuidados intensivos.”.
Em todo o Paraná, 641 pessoas em tratamento para covid-19 aguardam leitos de UTI, sendo 77 da macro região norte. A direção do HU explica como ficam acomodados esses pacientes enquanto não acessam os leitos adequados.
“Esses pacientes permanecem acomodados nas unidades de internação e o hospital se organiza de forma a garantir uma assistência segura e de qualidade. Na medida em que os leitos de UTI vagam, os pacientes são remanejados, segundo critérios prédefinidos pela literatura médica científica e o Conselho Federal de Medicina. Cabe ressaltar que esses pacientes internados no HU-UEL são assistidos em suas necessidades de saúde de forma segura, com acesso garantido à totalidade dos recursos disponíveis e protocolos clínicos de terapia intensiva, independentemente de estarem acomodados em leitos de enfermaria”, afirma.
A espera geral por leitos covid no Paraná, somados enfermarias e UTIs, é de 1.357 pacientes.
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