Estamos de volta?
Amor a minha volta
Rodeado dele
Disseram “Faça amor, não faça guerra!”
Mas eu estar amando é uma guerra
Não tô nem falando de dentro de mim
Mas na rua os olhares nos atravessam
E quanto desses não desejariam que fossem balas.
Balas
Parecem um tema frequente
Mas nada muda nesse mundo
Exceto que eu não sabia que existiam camaras de gas móveis
Nazistas, fascistas, racistas em evidência
E é o meu fogo que segue sendo censurado
Não posso queimar mais ninguém
Então que sucumbam perante o fogo das minhas palavras.
Será que sucumbirão?
Será que eu já não sucumbi?
Palavras despejadas em uma ordem aleatória nos meus versos
Eram um pedido de ajuda cifrado
Em um código que nem mesmo eu decifraria
Deixe fluir
Deixe correr
Como as Cataratas do Iguaçu em dias chuvosos
Lágrimas e palavras correm pelas veias
E se despejam nas estrofes.
Tipo Pantera Negra do Emicida eu to de volta.
Como é bom saborear o prazer de voltar
Mesmo sem nunca ter saído parece que não piso aqui há séculos
(Ou que talvez nunca tenha pisado, mas me cobrem em outra coluna)
Depois de 10 anos de Triunfo e alguns meses de descanso
To fazendo minha revolta.
Revoltas, guerras e amores.
Os conteúdos parecem imutáveis
Não culpem o poeta apaixonado
Não culpem a musa do poeta
Culpem o mundo
Tempo vai, tempo vem
A brutalidade com que ele passa é tangível
Mas nada muda.
Ou tudo muda.
Mas permanece igual
Abrir o jornal
Aquela tortura matinal
Mantendo a dose diária de insensatez moral
Seria isto um sinal
Os frutos de nosso fracasso abissal?
Lhes deixo a dúvida
Lhes deixo o legado de minha miséria
Pois não sou Machado para fazer um corte limpo
Que fiquem com minhas memórias póstumas
De um Antonio mais uma vez enterrado e ressucitado.
Estou de volta. Não o mesmo.
Um pouco mais surtado, um pouco menos são. Muito mais apaixonado. Muito mesmo, um homem de sorte talvez.
Mas voltamos, sobre retornos sem despedidas, sobre saídas não planejadas, apenas necessárias.
O poeta está de volta.
*Antonio Rodríguez, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me
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