Estudante da UEL reclama de discriminação por idade
Aluna de 44 anos do curso de direito afirma não ser aceita nas equipes formadas para a realização de trabalhos acadêmicos
Nelson Bortolin
Aos 44 anos, a servidora pública municipal Mary Ane Alves Macedo está na sua segunda graduação. Formada em zootecnia, ela cursa o terceiro ano de direito na Universidade Estadual de Londrina (UEL). E, conforme relato feito à Rede Lume, está sendo vítima daquilo que especialistas chamam de etarismo ou ageísmo, ou seja, discriminação pela idade.
O momento em que esse preconceito fica mais explícito, conforme relata Mary Ane, é quando os professores pedem para os estudantes formarem grupos para a realização de trabalhos acadêmicos. Ela alega que ninguém a convida e o constrangimento aumenta na hora que os docentes chamam atenção da turma para o fato de haver uma aluna sem grupo. A resposta, segundo ela, é o silêncio.
A universitária relata à Lume que foi alvo de bullying principalmente quando as aulas eram presenciais. Uma das “brincadeiras” feitas pelos colegas era chamá-la de Inês Brasil, uma referência à cantora carioca e youtuber de 42 anos. “Chegaram a fazer montagem de fotos do corpo da Inês Brasil com meu rosto”, conta.
Os poucos colegas que se aproximaram da estudante avisaram que ela é motivo de piadas em grupos de WhatsApp dos quais não participava. “Vocês viram que tem uma velha na turma? Uma mulher nada a ver com a gente?” Esse tipo de comentário, segundo a servidora pública, teria sido feito na rede social logo no início do curso, em 2019.
Mary Ane alega ter percebido um certo “isolamento social” desde os primeiros dias de aula. “Mas eu já entrei no curso de direito com certa idade. Não imaginava mesmo que ia interagir com pessoas de 18, 19 anos, de forma tão fácil. Eu imaginava no início que era apenas uma questão geracional”, explica.
As primeiras demonstrações de isolamento pelos colegas teriam sido recebidas com naturalidade. “Não me importava muito de eles não falarem comigo. Não tenho mais idade para ir a cervejada, isso não me incomodava. Mas quando começaram os trabalhos acadêmicos, passou a ser constrangedor para mim porque os professores ficavam tentando me colocar em grupos, mas ninguém aceitava”, alega.
A situação chegou num ponto em que os colegas acabaram assumindo que não gostam dela e que não iriam convidá-la para estudar com eles. “Disseram que ninguém gostava de mim, que não tinha lei nenhuma que ia forçar eles a fazerem trabalhos comigo”, afirma.
Sentindo-se prejudicada principalmente pelo fato de ter de fazer todos os trabalhos sozinha, a estudante resolveu queixar-se formalmente ao colegiado do curso. “A resposta foi que eu deveria ter paciência com os colegas porque eram muito novos e que não poderiam obrigar ninguém a gostar de mim. Insistem que eu estou querendo forçar o colegiado a arrumar amiguinhos para mim na UEL. Não tem nada a ver com isso. Eu quero respeito e principalmente uma solução para essa questão dos trabalhos”, alega.
Para a estudante, o curso não pode cobrar dela os mesmos trabalhos que cobra de equipes de cinco pessoas. “Conheço meus direitos constitucionais e sei que não estou tendo um tratamento igualitário. Não quero ser convidada para churrasco, para ir a shopping, quero que resolvam uma questão acadêmica”, declara.
Na última sexta-feira (5), segundo ela, um dos professores do curso procurou a representante da turma para tentar uma solução para o problema. E Mary Ane foi incluída numa equipe. Mas ela acredita tratar-se de uma solução pontual porque não abrange as outras disciplinas.
O que diz a UEL
A assessoria de imprensa da UEL enviou nota à Lume, segundo a qual o colegiado de direito e a pró-reitoria de graduação adotaram medidas “no sentido de acolher as queixas da estudante e de encontrar soluções para os conflitos interpessoais”. A nota diz que o “colegiado ampliou o diálogo com os professores e outros estudantes, e continua acompanhando o caso que também foi encaminhado para avaliação e monitoramento pelo Serviço de Bem-estar à comunidade (Sebec)”.
A assessoria de imprensa ressaltou que além dos serviços do Sebec, os estudantes que sentirem necessidade podem procurar a ouvidoria da UEL, pelo e-mail ouvidoria@uel.br .
You may also like
Relacionado
No comments
Deixe um comentário Cancelar resposta
Arquivos
- julho 2026
- junho 2026
- novembro 2025
- outubro 2025
- setembro 2025
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
Calendar
| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
| 31 | ||||||

Essa mina é insuportável mesmo! Soberba, prepotente, arrogante, quer ser “dona da verdade”, mal educada, baixa, vil, quer que as pessoas a engulam a qualquer preço. Quem conhece sabe. Não tem nada a ver com idade. Isso é o que ela inventou, porque é mimizenta. Pessoas idosas, são bem aceitas nos cursos de direito, não é pela idade dela, é por ser quem ela é: INSUPORTÁVEL.