Família denuncia agressão de PMs a jovem em Londrina
Carlos Eduardo Assalim foi abordado na noite do último domingo e precisou ser internado para tratar ferimentos graves
Cecília França
Colaborou Nelson Bortolin
Foto em destaque mostra ferimentos de Carlos Eduardo/Arquivo pessoal
A londrinense Ana Caroline Matos diz que não dorme nem se alimenta direito há três dias, desde que seu sobrinho, Carlos Eduardo Assalim, de 19 anos, foi parar no hospital com graves ferimentos no corpo e no rosto, no noite do último domingo (23). Na imprensa, a notícia era de que o rapaz estava empinando sua moto, no Conjunto Parigot de Souza, zona Norte de Londrina, quando bateu de frente com uma viatura da Polícia Militar. A tia, no entanto, diz que a história é outra: Carlos Eduardo estava sendo abordado quando uma segunda viatura teria batido contra sua moto. Policiais saíram do veículo e o agrediram violentamente com cassetete e coronhadas.
“Eles deformaram o rosto do meu sobrinho. Nem se fosse bandido podia fazer uma coisa dessas”, diz Ana, que contesta outro ponto da notícia, a de que Kadu, como é chamado, teria passagens pela polícia. “Colocaram que ele tinha passagem, uma acusação mentirosa”, garante. Para comprovar, Ana apresenta uma certidão negativa de antecedentes criminais em nome do sobrinho.
“Está visível a agressão dos policiais. Pelas costas, apanhou muito de cassetete e no rosto, de coronhadas com o cano do revólver, trazendo traumatismo de face com vários pontos pelo rosto”, detalha. Carlos Eduardo saiu ontem do hospital.


Na segunda-feira (24) Ana esteve com uma advogada na 4ª Companhia Independente da Polícia Militar, onde prestou termo de declaração denunciando as agressões e uma atitude que classifica como desrespeitosa por parte de um dos policiais presentes na abordagem. “Sabe o que o policial que estava no dia fez? Um ‘tik tok’ com meu sobrinho caído no chão. Vários policias curtiram e compartilharam. É muita falta de profissionalismo da parte dele”, reclama.
Carlos Eduardo tem um filho de seis meses que, segundo a tia, “depende dele trabalhar para viver”. “Ele tem 19 anos, trabalha como entregador, estava tirando a habilitação dele. Ele também trabalha no lava rápido, faz várias coisas para poder levar o sustento para o filho dele”, afirma. A tia confirma que o jovem tem como hobby empinar motos e postar os vídeos nas redes sociais. Para ela, veio daí a versão oficial de que ele estaria empinando a moto no momento da abordagem.
A versão das agressões foi contada para a família por pessoas que presenciaram a cena, mas, segundo a tia, estão com medo de fazer seus relatos. Nesta quarta-feira Carlos Eduardo realizou exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

O que diz a PM
O subcomandante da 4a Cia Independente da PM, capitão Luiz Fernando Ribeiro de Souza, informou à Rede Lume que foi aberto um procedimento para apurar o caso e que seria prematuro fazer qualquer outro comentário neste momento.
You may also like
Relacionado
No comments
Deixe um comentário Cancelar resposta
Arquivos
- julho 2026
- junho 2026
- novembro 2025
- outubro 2025
- setembro 2025
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
Calendar
| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
| 31 | ||||||

Se o rapaz tava cometendo infracão, a lei determina que ele seja indiciado e responda por seus atos. Mas não é assim que parte da população é tratada pelas forças de segurança. De um lado plebas da gleba cometem infrações até piores que empinar moto e não são sequer abordados pela PM. Nos casos raros onde há abordagem, muitas vezes os caras cagam na cara do policial e fica por isso mesmo. Já na periferia, a banda toca diferente. A porrada come, esculacho, tapa na cara, cassetete no lombo, fragrante forçado e muitas vezes até extermínio sumário de gente pobre e sem direitos nesse nosso Brasil. Ainda mais quando está no poder um idiota que estimula com atos e narrativas este verdadeiro holocausto contra a população excluída das perifas. Lembro da frase de um ministro dos milicos quando se decretou o AI-5 pela ditadura militar que o maior problema das políticas de excessão era os “Cosme e Damião” (dupla de guardinhas que ficam patrulhando nas esquinas) pois eles se sentem legitimados a agir fora da lei contra aqueles que o sistema taxa de inimigo. Lá e agora é exatamente isto que ocorre.
Obrigada pelo comentário e pela visita, Adriano.