Mortes de seis pessoas pela PM completam seis meses e familiares protestam
Movimento Justiça por Almas cobra transparência nas investigações
Nelson Bortolin
O Movimento Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta realizou um protesto nesta terça-feira (6) na Avenida Saul Elkind (zona norte de Londrina) para lembrar os seis meses das mortes de seis pessoas decorrentes de uma intervenção da Polícia Militar no Jardim Felicidade (zona norte).
No dia 7 de fevereiro deste ano, após receber informação de que o PCC faria um “tribunal do crime” numa residência, viaturas da PM foram até o local. A versão oficial do caso, que consta de relatório da Polícia Civil, é a seguinte: “A Polícia Militar acionou o Choque tendo em vista a informação recebida que eram vários elementos armados nessa reunião. Ao chegar no local, o grupo tático Choque visualizaram (sic) uma mulher e uma criança perto da residência e sinalizaram para elas saírem para preservar a segurança delas. Quando fizeram contato visual, ouve (sic) o confronto uma vez que, todos os seis elementos estavam armados e não se renderão (sic) a voz de prisão.”
O caso mobilizou os moradores da região, que paralisaram parte da rodovia Carlos João Strass dia 15 de fevereiro.
https://redelume.com.br/2024/02/16/moradores-protestam-contra-mortes-de-seis-pessoas-pela-policia/
As famílias de pelo menos dois dos mortos contestam a versão oficial. Elas acreditam que houve execução e cobram transparência nas investigações.
O protesto desta terça-feira foi realizado em frente ao Atacadista Assaí, local onde um dos rapazes, João Victor Santos, que tinha 28 anos, trabalhava havia dez anos.
“A minha vida virou um transtorno, porque eu tive que mudar de bairro. Saí da minha casa e agora tenho de pagar aluguel. Minha mulher não aguentou ficar lá porque o fato aconteceu praticamente em frente de casa e a polícia estava sempre por lá”, conta João Pinto dos Santos.
Leia também: Quando a polícia pode entrar na sua casa sem mandado?
Segundo Santos, que é auxiliar de serviços gerais, seu filho convivia com um dos traficantes, mas nunca se envolveu com a venda de drogas. Ele não tinha passagem pela polícia e jamais usou arma de fogo. “Meu filho era trabalhador, tinha registro em carteira e tudo”, afirma. “No bairro, todo mundo conhece todo mundo. O fato de eu conversar com o pessoal do tráfico não me faz traficante. Nem eu nem meu filho nunca nos envolvemos com isso”, alega.
Santos diz que não vai desistir enquanto não provar a inocência do filho. “Estou nessa luta e vou até o final”. Nos últimos meses, ele fez visitas constantes à Polícia Civil e ao Ministério Público buscando informações sobre o inquérito aberto para investigar o caso. “É tudo muito lento. Até hoje, eu não consegui liberar nada que estava com meu filho, o celular, o cartão de crédito.”
Márcia de Oliveira é outra que contesta a versão oficial. Ela admite que o filho, Kauan de Oliveira, trabalhava como “aviãozinho” para o tráfico, mas estava tentando mudar de vida quando foi morto aos 20 anos de idade.
A dona de casa diz ter conversado com a mulher que estava na casa do Jardim Felicidade no início da abordagem policial. “Ela falou para mim que a hora que eles (policiais) puseram ela para fora, meu filho estava de joelho com a mão na cabeça.”
Garçonete, a mãe alega estar sem condições de trabalhar por causa de dores fortes e depressão. Ela critica as autoridades. Diz que o País não dá oportunidade para os jovens, que ficam “à mercê” dos bandidos. “A gente trabalha para criar nossos filhos, dar educação para eles, mas a gente não pode ficar 24 horas em cima deles porque a gente tem de trabalhar.”
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público do Paraná, o caso está sendo acompanhado pela 14ª Promotoria de Justiça de Londrina, que aguarda a conclusão de diligências pendentes. “O inquérito policial relacionado ao caso tramita sob sigilo”, diz nota enviada à Rede Lume.
A reportagem também questionou a Polícia Civil sobre o inquérito e aguarda uma resposta.
A Lume faz jornalismo independente em Londrina e precisa do seu apoio. Curta, compartilhe nosso conteúdo e, quando sobrar uma graninha, fortaleça nossa caminhada pelo PIX (Chave CNPJ: 31.330.750/0001-55)
You may also like
Relacionado
Arquivos
- julho 2026
- junho 2026
- novembro 2025
- outubro 2025
- setembro 2025
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
Calendar
| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
| 31 | ||||||

Deixe um comentário