MST doa 20 toneladas de alimentos no Norte do Paraná
Natal Solidário da Reforma Agrária atendeu famílias nas zonas Oeste e Norte da cidade, em parceria coletivos e movimentos populares
Cecília França
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entregou 20 toneladas de alimentos para moradores de comunidades periféricas de Londrina, Arapongas, Rolândia, Porecatu e Centenário do Sul neste sábado (21). Foram doados hortaliças, lácteos e outros alimentos cultivados nas áreas de reforma agrária no norte do Estado, como o Assentamento Eli Vive. Esta é a quinta edição consecutiva do Natal Solidário da Reforma Agrária, promovido pelo MST em parceria com coletivos e movimentos populares urbanos.
“As nossas ações de distribuição de alimentos ganharam muita força durante a crise da pandemia de Covid-19, quando o direito à alimentação foi negado a muitas famílias, principalmente nas periferias das cidades”, comenta José Damasceno, da direção estadual do MST no Paraná. “Desde então, essa grande ação de fim de ano se tornou um momento esperado pelas famílias camponesas, que plantam e produzem um pouco a mais nesse período para poder dividir sua produção e contribuir com o natal dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade”, comenta.
Igor de Nadai, do setor de comunicação e cultura do MST, comenta que as ações do movimento nas comunidades desenrolam-se durante todo o ano. O Natal Solidário é mais uma das muitas atividades realizadas junto a populações vulnerabilizadas nas cidade. “A gente vem como um princípio político e filosófico do movimento, de sempre ser solidário com os trabalhadores, porque o MST foi erguido também com a solidariedade dos trabalhadores da cidade; então é um gesto permanente”, explica.
As ações do movimento, afirma Igor, não têm apenas um caráter de caridade. “Aqui é uma ação de igual para igual; é uma ação de fortalecer a parceria e o que tem de coletivo e de comunitário nesses bairros. Hoje em dia as comunidades já sabem como se organizar, como distribuir os alimentos. Não queremos que só a gente saia maior da ação de solidariedade, queremos também que as comunidades se fortaleçam”, declara.
As doações em Londrina aconteceram no Vista Bela, em parceria com o coletivo Vista Bela em Movimento; no João Turquino e no São Jorge, onde funciona a cozinha comunitária do Amigas do São Jorge – Projeto Wal Dias.
Segundo Vanessa Carolina Prates Rocha, liderança do Vista Bela em Movimento, foram atendidas 250 famílias no bairro e outros 50 na ocupação Barcelona. Ela estima que 40% da população de 12 mil pessoas do Vista Bela sofra com algum nível de insegurança alimentar.
“Eu entendo que trabalhar esse tema da soberania alimentar, da alimentação saudável na periferia, é de extrema importância. Porque nossas condições nos levam a consumir mais alimentos ultraprocessados, condições econômicas, inclusive”, destaca. “Essa ação é justamente nesse intuito. A gente não pode atender o ano inteiro todas as famílias porque não temos perna, mas no Natal a gente acha importante para poder trazer alegria e conforto”.
Este é o quarto ano consecutivo que o Natal Solidário do MST integra as ações de fim de ano do coletivo. Além dos alimentos da reforma agrária, o Vista Bela em Movimento ainda entregou 150 cestas de natal para as famílias e 400 brinquedos para crianças.
O poder de dividir
Os alimentos distribuídos neste sábado foram produzidos pelas famílias de cinco acampamentos e assentamentos do MST no norte do Estado: Assentamentos Eli Vive (Lerroville/Londrina) e Dorcelina Folador (Arapongas) e acampamentos Fidel Castro (Centenário do Sul), Maila Sabrina (Ortigueira), Zilda Arns (Florestópolis), Manoel Jacinto (Florestópolis) e Herdeiros da Luta de Porecatu (Porecatu).
Para Igor, as ações do Natal Solidário contribuem para dismistificar o MST junto às populações urbanas.
“É muito diferente chegar um caminhão de uma empresa, com Papai Noel, e despejar produtos na comunidade. Aqui são os próprios trabalhadores que produzem a comida e que estão aqui entregando, com envolvimento com o pessoal dos bairros. É um povo que eles escutam que é bandido, mas que está aqui dividindo alimento”, pontua.
Desde 2020, o MST já doou mais de 1200 toneladas de alimentos no estado do Paraná.
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