Paraná soma 168 feminicídios em 2024, aponta Lesfem
No Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, Informe do Laboratório de Estudos de Feminicídios no Brasil, da UEL, mostra cenário de risco para as mulheres
Cecília França
Foto: Ato do Levante Feminista contra o Feminicídio no Rio de Janeiro em 2023/Tânia Rêgo/Agência Brasil
No Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, os dados apresentados pelo Informe Feminicídios no Brasil – janeiro a junho de 2024, do Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB), lembram que ser mulher na nossa sociedade é um fator de risco. De acordo com os dados, no primeiro semestre deste ano, o Paraná soma 168 casos de feminicídios, entre consumados e tentados. De janeiro a junho, 69 mulheres foram mortas pela violência feminicida e outras 99 sofreram tentativas. Esses números colocam o Estado como o segundo do País em casos de feminicídios no período, atrás apenas de São Paulo, com 283 casos.
O MFB é mantido pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios no Brasil (Lesfem), uma parceria da Universidade Estadual de Londrina (UEL) com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Universidade Federal de Catalão (UFCAT). As pesquisadoras e pesquisadores coletam dados a partir de notícias veiculadas pela imprensa e a metodologia para classificação segue as bases das Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres e do Mapa Latino-Americano de Feminicídios.
Os municípios do Paraná com maiores registros de casos são Curitiba (12), Cascavel e Toledo (7 cada), Araucária (6) e Apucarana (4). Em Londrina foram detectados dois casos no semestre, sendo um feminicídio tentado e outro consumado.

Reprodução/Informe Lesfem
Silvana Mariano, doutora em sociologia, docente da UEL e coordenadora do Lesfem, observa que os números no Paraná cresceram em relação ao primeiro semestre de 2023, quando o Estado figurou em terceiro lugar em casos de feminicídios no período. “São dados muito grandes para o Paraná. Trata-se de um estado violento, em que ser mulher envolve um risco considerável para o feminicídio”, destaca.
Quando observada a taxa de feminicídios por 100 mil mulheres, por estado, 11 deles superam a média nacional, de 1.03. São eles: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Amazonas, Espirito Santo, Acre, Rondônia, Tocantins, Roraima, Santa Catarina, Piauí e Paraná – veja abaixo.

Reprodução/Informe Lesfem
Feminicídios tentados
O Lesfem tem especial atenção para os casos de feminicídios tentados, em contraponto ao que se observa nas instituições, organizações e veículos de imprensa, nos quais a abordagem do fenômeno tende a observar mais os feminicídios consumados.
“A relevância do registro e atenção para os dados referentes aos feminicídios tentados é justificada pelo próprio impacto negativo que causa na vida das mulheres, de suas famílias, da comunidade e no conjunto da sociedade”, destaca Silvana Mariano.
Esse registro também contribui para reflexões sobre a efetividade das Medidas Protetivas de Urgência (MPU) enquanto mecanismos de proteção à Violência Doméstica e Familiar Contra as Mulheres, conforme previsto na Lei Maria da Penha.
Em novembro de 2022, por ocasião do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, a Rede Lume conversou com duas sobreviventes de feminicídio sobre os impactos das agressões em suas vidas – leia aqui: Sobreviventes de feminicídio falam sobre como romper ciclo de violência
Quase 5 feminicídios por dia no Brasil
Entre janeiro e junho de 2024, o Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB) identificou a ocorrência de 905 casos de feminicídios consumados no país e outros 1.102 feminicídios tentados. As médias diárias foram, respectivamente, 4,98 e 6,05, índices alarmantes que reiteram: o contexto doméstico no Brasil é um lugar de risco para as mulheres.
As pesquisadoras e pesquisadores do Lesfem destacam que, embora nas últimas décadas tenha havido a ampliação de políticas públicas acerca da violência doméstica, como a Lei Maria da Penha (Lei n. 11.340/2006) e a própria Lei do Feminicídio (Lei n. 13.104/2015), o agravamento do número de casos e de outras violências de gênero revela a urgência de novas estratégias.
“É certo que muitos feminicídios não são classificados ou reportados como tal. Essa invisibilização passa por diferentes segmentos da sociedade, como a educação, saúde, assistência social, segurança pública e justiça”, explica Silvana Mariano, coordenadora do Lesfem.
Leia também: ‘Não é Não’: Conheça leis de proteção às mulheres
O dia estadual
No Paraná o dia 22 de julho é o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio desde a promulgação da Lei Estadual nº 19.873/2019, que determina que o poder público deva promover ações, debates e eventos relacionados ao tema, em parceria com organizações da sociedade civil. A data foi escolhida em referência ao feminicídio da advogada Tatiene Spitzner, de Guarapuava. Seu então companheiro, Luís Felipe Manvailer, foi condenado a mais de 31 anos de prisão pelo crime.
A data será marcada em Londrina por atividades do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (CMDM) e caminhada promovida pela Secretaria Estadual da Mulher (SEMIPI).
Das 7h às 8h as ações acontecem no Terminal Urbano Central; a partir das 8h30 até 12h30, no Calçadão, em frente ao Cine Teatro Ouro Verde. A caminhada promovida pela SEMIPI sairá às 12h da Catedral até o Ouro Verde.
Leia também: Sobreviventes de feminicídio são invisibilizadas: ‘Precisamos romper com esse silêncio’, diz socióloga
A Lume faz jornalismo independente em Londrina e precisa do seu apoio. Curta, compartilhe nosso conteúdo e, quando sobrar uma graninha, fortaleça nossa caminhada pelo PIX (Chave CNPJ: 31.330.750/0001-55). Se preferir contribuir com um valor mensal, participe da nossa campanha no Apoia-se https://apoia.se/lume-se.
You may also like
Relacionado
Arquivos
- julho 2026
- junho 2026
- novembro 2025
- outubro 2025
- setembro 2025
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
Calendar
| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
| 31 | ||||||

Deixe um comentário